A derrota para o Oeste por 1 a 0, no dia 26 de janeiro, pela penúltima rodada da Série B de 2020, finalizada em 2021, foi o ponto de partida para mudanças no Paraná. Dias antes, o presidente Leonardo Oliveira pedia renúncia do cargo e Sérgio Molletta assumia.

A expectativa era que o clube, com uma reformulação do comando aos jogadores, pudesse buscar a retomada depois de uma queda histórica. Mas a situação foi inversa.

O Tricolor conseguiu fazer uma temporada ainda pior, da administração ao futebol em campo, e, com uma trajetória de erros, chegou ao fundo do poço do futebol brasileiro. O UmDois Esportes faz uma linha do tempo, mês a mês, dos acontecimentos de 2021.

Janeiro: sai Oliveira, entra Molleta

No dia 20 de janeiro, Leonardo Oliveira divulgava uma carta em que pedia renúncia da presidência antes da queda do clube à Série B. Com a saída de Oliveira, no dia seguinte, Sérgio Molletta, conselheiro vitalício do Paraná, foi escolhido como o gestor interino pelo Conselho Consultivo.

Leonardo Oliveira. Foto: Albari Rosa/Arquivo/Gazeta do Povo
Leonardo Oliveira. Foto: Albari Rosa/Arquivo/Gazeta do Povo| Gazeta do Povo

Fevereiro: Maurílio, Ageu e Moisés Von Ahn chegam; elenco é reformulado

O novo presidente escolheu os ídolos Maurílio e Ageu para comandarem a equipe. Os dois foram escolhidos mais pela identificação com a torcida, que chegou a fazer uma grande recepção para o atacante no aeroporto, do que pelos trabalhos anteriores na área técnica.

O executivo de futebol Moisés Von Ahn também foi contratado para reformular o elenco. Apenas sete jogadores remanescentes ficaram. Outros 18 foram contratados, a maioria com experiência em Série C. Atletas da base também foram promovidos para compor o elenco.

Maurílio e Ageu chegaram com a missão de reerguer o Paraná. Foto: Divulgação/Paraná.
Maurílio e Ageu chegaram com a missão de reerguer o Paraná. Foto: Divulgação/Paraná.| Divulgação/Paraná

Março: Saulo é contratado; Paraná é eliminado na primeira fase da Copa do Brasil

Nos primeiros dias de março, o clube anunciou a chegada também do ídolo Saulo, o Tigre da Vila, para o cargo de coordenador técnico - um elo entre a comissão e os atletas. A trinca de ídolos tinha o objetivo de resgatar a paixão pelo Tricolor.

Em campo, sem receitas de TV, bilheteria e patrocínios, o clube sabia das dificuldades financeiras que passaria na temporada e tinha na Copa do Brasil uma esperança para manter as contas em dia. Mas acabou eliminado na primeira fase.

Depois do adiamento do início do Paranaense por conta da pandemia, o Tricolor acabou estreando na temporada logo na competição nacional. Diante do Cianorte, fora de casa, o Paraná sofreu um gol de fora da área de Sávio, aos 39 minutos do segundo tempo, e perdeu a chance de garantir mais R$ 675 mil aos cofres - que dariam um estabilidade nos meses seguintes.

Saulo de volta ao Paraná.
Saulo de volta ao Paraná.| Bruno Aleixo/Paraná

Abril: Molletta renuncia ao cargo de presidente; Executivo é demitido

No fim de março, o presidente Molletta contraiu a Covid-19, precisou ser internado na UTI e pediu afastamento do cargo por 30 dias. O comandante vinha fazendo um trabalho razoável à frente do clube, com negociações de dívidas, boa relação interna com a torcida e com jornalistas.

Mesmo recuperado da doença, Molletta renunciou ao cargo no fim do mês para cuidar da saúde. Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, assumiu em seu lugar.

Ainda no início de abril, o Paraná externou os problemas financeiros ao divulgar uma nota em que reduzia em 50% os gastos, com a demissão de funcionários e a suspensão temporária de todas as suas obrigações com credores, fornecedores e parceiros. A partir daí, começaram a surgir "vaquinhas" de torcedores.

Por conta de toda a situação, em que não poderia manter mais tantos funcionários, Moisés Von Ahn foi demitido. Marcello Guatura, que tinha sido anunciado dias antes como diretor de futebol, assumiu as funções no departamento de futebol.

Sérgio Molletta.
Sérgio Molletta.| Albari Rosa/Foto Digital/UmDoisEsportes

Maio: Paraná negocia com FDA Sports e estreia na Série C

Com as dificuldades financeiras, o Paraná foi em busca de uma parceria para colocar as contas em dia. A FDA Sports foi a principal interessada em ajudar no projeto do clube. Em meio aos problemas internos, o clube anunciou mais mudanças no elenco. Atletas foram dispensados e outros chegaram para a Série C.

Em campo, o time, que estava praticamente eliminado pelo Athletico nas quartas de final do Paranaense, estreou também com uma atuação ruim e derrota para o Ypiranga na Série C.

Maurílio à frente do Paraná.
Maurílio à frente do Paraná.| Albari Rosa/Foto Digital/UmDois

Junho: Justiça aprova parceria com FDA Sports; Paraná na ZR da Série C

Nos primeiros dias de junho, a Justiça aprovou a parceria entre Paraná e FDA Sports. Mais nomes foram contratados pensando na melhora em campo. Em cinco partidas disputadas em junho, foram três derrotas, um empate e apenas uma vitória.

O primeiro triunfo na Série C foi contra o São José por 3 a 1, o resultado, no momento, tirou o time da lanterna e empurrou o próprio Zequinha para a última posição do Grupo B. Os resultados já mostravam à torcida que a competição seria longa para o Tricolor.

Ainda em junho, o clube divulgou os novos planos de sócios, que vinham sendo discutidos desde o início da temporada e tiveram criação em conjunto com a empresa 2BR. Os programas dividiram opiniões da torcida.

Jogadores do Paraná fizeram protesto antes do jogo
Jogadores do Paraná fizeram protesto antes do jogo| Albari Rosa/Foto Digital/UmDois Esportes

Julho: Primeiro aporte da FDA Sports, Maurílio demitido e Sílvio Criciúma é contratado

O mês de julho foi muito agitado. Após uma reunião entre diretoria e jogadores - que pediam os pagamentos dos salários atrasados -, o presidente Casinha confirmou o primeiro aporte da FDA Sports. Os jogadores reivindicavam os pagamentos de maio e a folha de junho, além de direito de imagem de março e abril em atraso.

Em campo, o time seguiu mal e dentro da zona de rebaixamento. No dia 20 de junho, após a derrota para o Grêmio Novorizontino por 2 a 0, o técnico Maurílio foi demitido com aproveitamento de apenas 29,2%. Sílvio Criciúma foi contratado para comandar o time.

Nos bastidores, as chapas para as eleições do Paraná do triênio 2021/2024 iam se formando. A sede da Kennedy foi colocada a leilão pela Justiça por conta da dívida milionária do clube com o Banco Central do Brasil (BACEN). Marcelo Nardi, assumira o cargo de executivo de futebol, e Arthur Ferreira, da FDA Sports, chegava como novo gerente de futebol.

Sílvio Criciúma.
Sílvio Criciúma.| Allexandre Fellipe/Paraná Clube

Agosto: Crise entre FDA Sports e Paraná; nova diretoria eleita e Criciúma demitido

Os primeiros dias de agosto foram agitados com a crise entre a FDA Sports e sua sócia, a empresa Kerry. A situação deixou em dúvida a sequência da parceria com Paraná. Depois de quase um mês de negociação, a parceria chegou ao fim com apenas dois meses. O Tricolor vai processar a ex-parceira.

No extracampo, as eleições do clube foram realizadas. A chapa comandada por Rubens Ferreira, o Rubão, foi eleita e já iniciou uma transição com a diretoria provisória. A posse da nova diretoria foi antecipada de dezembro para 14 de setembro.

Depois da derrota no confronto direto para o São José, com a equipe na ZR da Série C e sem vencer após cinco jogos no comando, Sílvio Criciúma é demitido no dia 31 de agosto. Os auxiliares Jorge Ferreira e Saulo assumem até o fim da competição.

Rubão comemora vitória na eleição
Rubão fazia parte do Conselho Fiscal do Paraná.| Albari Rosa/Foto Digital/UmDois Esportes

Setembro: Jogadores fazem protesto; clube é rebaixado

O mês de setembro começou com uma esperança. Após um protesto dos jogadores pelos salários atrasados, que atrasou cinco minutos o início do jogo contra o Criciúma, o time conseguiu vencer na Vila Capanema por 2 a 1 e ganhou uma sobrevida. A mudança de postura foi muito por conta do novo comando e da utilização dos jovens.

Porém, o time fracassou na corrida pela salvação. Agora, o clube tem calendário, provavelmente, só em fevereiro com o Campeonato Paranaense. Serão quatro meses sem entrar em campo.

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