A polêmica envolvendo a realização da Copa América e o escândalo que afastou o presidente Rogério Caboclo do comando da CBF lançaram dúvidas sobre a continuidade do técnico Tite à frente da seleção brasileira. E o destino do treinador só deve ser conhecido após o duelo com o Paraguai, nesta terça-feira, às 21h30, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

Com Caboclo afastado da CBF por 30 dias, após denúncias de assédio sexual e moral, o novo comando da entidade deseja a permanência de Tite. É a vontade do Coronel Nunes, o vice-presidente que assumiu o posto interinamente, e também dos demais vice-presidentes. Pesa, ainda, a disposição de Marco Polo Del Nero, ex-presidente que mantém forte influência sobre a organização.

Resta saber qual seria a vontade do técnico gaúcho. Tite teria ficado insatisfeito com a forma como o processo para a realização da Copa América no país foi conduzido, sem que a comissão técnica e o grupo de atletas fossem ouvidos.

Insatisfação que também atingiu os atletas e gerou até mesmo a possibilidade de um boicote à competição. Chance, entretanto, posteriormente descartada. O grupo decidiu disputar o torneio caso, de fato, a competição seja jogada no país.

A união entre os atletas e Tite é um dos motivos para que a nova cúpula da CBF trabalhe pela permanência do treinador à frente da seleção. O Brasil cumpre campanha perfeita nas Eliminatórias para a Copa do Catar, em 2022, com cinco vitórias em cinco partidas. E Tite é visto como o melhor técnico brasileiro da atualidade.

Bolsonaro quer Renato Gaúcho para o lugar de Tite

A crise geral na seleção e no comando da CBF ganhou outro componente com a pressão feita pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro por uma demissão de Tite. A ameaça da seleção de não participar da Copa América foi recebida como desrespeito ao presidente. Um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, chegou a chamar Tite de "puxa-saco" de Lula.

Veja a tabela das Eliminatórias da Copa do Mundo!

De acordo como jornal As, da Espanha, Bolsonaro "quer a cabeça" de Tite. E foi na esteira do protesto dos bolsonaristas e da posição do presidente que o nome de Renato Gaúcho, ex-técnico do Grêmio, e apoiador público de Bolsonaro, ganhou espaço como um possível substituto de Tite à frente da seleção brasileira. Rogério Caboclo teria, até, prometido ao governo federal trocar Tite pelo ex-atacante gremista. Entretanto, sem Caboclo, diminuem as chances disso acontecer.

Em contato com a imprensa na manhã desta segunda-feira, o presidente Bolsonaro negou que esteja interferindo na seleção brasileira. "Minha participação na Copa América é abrir o Brasil pra que seja realizada aqui. Sobre jogador, técnico, estou fora dessa, não tenho nada a ver com isso aí".

Tite de esquiva sobre o futuro na seleção brasileira

Questionado sobre o futuro, Tite se esquivou nos últimos contatos com a imprensa. No entanto, não conseguiu esconder seu incômodo com a atual situação entre comissão técnica e jogadores contra a CBF por causa da imposição de a seleção brasileira ter de jogar a Copa América.

"Estou fazendo o meu trabalho normalmente, estou em paz comigo mesmo", afirmou, sem tanta convicção nas palavras. "Tem uma resposta que eu guardo que o (Barack) Obama deu para o (Pedro) Bial. Ele disse: "minhas adversidades são pequenas em relação à uma série de outras pessoas com problemas maiores, de saúde, alimentação...' Faço o que gosto, pressões são normais."

Tite preferiu não esticar a polêmica sobre a Copa América. Apesar sacramentou as palavras do capitão Casemiro, ao fim do jogo. "O Casemiro foi muito feliz na resposta que deu na saída de campo. É o pensamento que nós temos. E temos consciência também. Há a hora certa para falar a coisa certa."

Quando questionado se foi seu jogo de despedida no Brasil, o treinador apenas admitiu que muitas hipóteses seriam levantadas após ele revelar a insatisfação do grupo com a Copa América e pediu total averiguação para não surgirem versões forçadas. "Sabia que surgiram essas hipóteses".

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