Passamos mais um final de semana em branco no Brasileirão. Athletico e Paraná foram derrotados e o Coritiba empatou. E essa é infelizmente uma situação costumeira. Os três, somados, perderam 36 partidas na Série A e na Série B - 49,32% de todos os jogos que as equipes disputaram. Sim, quase metade. Uma marca terrível, que explica a situação que o Trio de Ferro vive. Na primeira divisão, o Coxa está empacado na zona de rebaixamento e o Furacão em 12º, a quatro pontos da ZR; na Segundona, o Tricolor tem a mesma vantagem rubro-negra, mas é o 16º colocado.

OUÇA: narrador do Grupo Globo, Jota Júnior participa do podcast De Letra

E tem solução para tanta dificuldade? É possível ver uma luz no fim do túnel - e que não seja o trem? O tempo está curto, já se foram 24 rodadas na Série A e 26 na Série B e não vamos panorama de melhora. É preciso voltar a jogar um bom futebol. Mas será que já se mostrou bom futebol em 2020? Houve boas sequências, mas elas não se sustentaram. E mesmo assim dá pra acreditar?

Athletico: antes de mais nada, os 45 pontos

Após a eliminação na Libertadores, Paulo Autuori veio a público dizer que o objetivo do Athletico era voltar à competição continental, agora via Brasileirão. Mas, antes de pensar nisso, o Furacão tem é que olhar para a tabela e mirar os 45 pontos - que a história aponta como 'número mágico' para escapar do rebaixamento. Houve anos em que se fugiu com mais e outros com menos, mas na média é isso aí.

Pra atingir essa pontuação, os jogadores rubro-negros precisam encarar cada uma das 14 partidas restantes como encararam a série contra o River Plate. O treinador falou, e com razão, que faltou competitividade na derrota para o Fluminense. Com o time reforçado, tendo mais opções, o Furacão jogou menos e foi presa fácil para os cariocas - ainda mais após a expulsão de Thiago Heleno.

Diante do Atlético-MG, neste sábado (12), o Athletico precisa ser um time consciente do que precisa fazer. Marcar muito, não deixar de correr e ter o máximo de eficiência possível. Por tudo que apresentou no Brasileirão, o Rubro-Negro não vai se transformar numa máquina de fazer gols. Por isso, é bom acertar o pé nas chances que forem criadas para garantir que a zona de rebaixamento fique só na ameaça.

Coritiba: um Brasileirão dramático

O Coritiba ganhou apenas cinco jogos no Brasileirão até agora. Nas 14 rodadas que faltam, precisaria somar oito para escapar da degola. É uma situação dramática, que preocupa mais pela falta de reação interna. Depois de oito dias em Atibaia, longe da pressão e treinando intensivamente, o Coxa não apresentou evolução no empate com o Bragantino. Pelo contrário, parece que andou pra trás.

Rodrigo Santana, um técnico na linha de fogo do Coritiba. Foto: Albari Rosa/Foto Digital
Rodrigo Santana, um técnico na linha de fogo do Coritiba. Foto: Albari Rosa/Foto Digital| Albari Rosa/Foto Digital/UmDois

Rodrigo Santana não conseguiu definir um modelo de jogo e uma formação básica. Movido ao sabor dos acontecimentos, o técnico alviverde não resgatou a confiança do elenco - e talvez nem ele hoje se sinta confiante, pois a eleição deste sábado (12) pode definir seu futuro no clube. Hoje, talvez nem a reeleição da atual diretoria seja suficiente para lhe garantir no cargo, imagine com vitória de uma das duas chapas de oposição.

Contra o Sport, domingo (13), na Ilha do Retiro, o Coxa não tem desculpa. Tem que ganhar. Por sinal, a obrigação alviverde é de somar seis pontos diante de Sport e Botafogo. Não são apenas jogos contra adversários diretos, mas também definidores se ainda vai ser possível acreditar na salvação do Coritiba. É agora ou nunca.

Paraná: a queda livre

Mostrei no final de semana o tombo que o Paraná Clube levou. Em 14 rodadas, caiu de quarto para 16º colocado na Série B. Nessas partidas, somou apenas sete pontos. E se puxarmos somente os últimos oito jogos, foi um pontinho só. Um aproveitamento de 4,17%, que faz do Tricolor o pior time do returno, atrás até dos times que estão na zona de rebaixamento.

Um deles, o Figueirense, é o adversário desta quarta-feira (9), na Vila Capanema. É outro jogo sem desculpas - ou o Paraná ganha, ou o Paraná ganha. Ainda mais por conta do perfil do confronto, que pode fazer o Tricolor dar uma respirada. Um tropeço deixaria o time catarinense a um ponto de diferença, algo desesperador. Portanto, é obrigação sim vencer.

Gilmar dal Pozzo começou o trabalho no Paraná Clube. Foto: Rui Santos/Paraná
Gilmar dal Pozzo começou o trabalho no Paraná Clube. Foto: Rui Santos/Paraná

Gilmar dal Pozzo vai estrear, não sei se Renan e Andrew já vão ficar à disposição - mas pelo menos o goleiro é certo que será titular absoluto. O treinador terá que dar um choque de motivação no grupo, esfacelado desde a demissão de Allan Aal. Pode ser que o Paraná não consiga retomar o ritmo que o manteve no G4, mas não é possível jogar só essa bolinha que vem jogando.

Brasileirão em resumo

Athletico, Coritiba e Paraná podem sim evitar o pior nesta reta final de Brasileirão. Mas é preciso jogar bola. Coisa rara neste 2020.

Participe da conversa!
0