Acho que quando se definiu River Plate x Athletico nas oitavas de final da Copa Libertadores todos viram o time argentino, vice-campeão da competição, como favorito. E no final das contas os Millonarios se classificaram. Mas o Furacão deixou o torneio como gente grande, encarando a força adversária, equilibrando os confrontos e vendendo caro a eliminação. Isto ficou evidente na partida desta terça-feira (1), em Avellaneda, vencida pelo River por 1x0.

OUÇA: De Letra #63 fala sobre o surto de covid-19 no futebol brasileiro

O saldo da Libertadores para o Rubro-Negro foi favorável. Apesar de todas as dificuldades nesta série eliminatória, o técnico Paulo Autuori e o elenco, abatido pela covid-19, saíram maiores dos jogos contra o River Plate. Se não foi possível ir mais longe, o problema esteve nos erros de planejamento, na falta de capacidade do departamento de futebol e na gestão esportiva de Mário Celso Petraglia neste 2020.

Um Furacão totalmente diferente

Quando foi divulgada a escalação atleticana, uma hora e meia antes de a bola rolar, ficou uma dúvida - como aquele time iria jogar? O que no papel foi colocado como um 3-4-3 na verdade era um 3-5-2. Lucas Halter entrava na zaga para se somar a Thiago Heleno e Pedro Henrique. E Erick não voltava para o meio, e sim seria um ala pela direita, com Léo Cittadini fazendo o mesmo papel pela esquerda.

Lucas Halter na marcação sobre Santos Borré. Foto: Divulgação/CARP
Lucas Halter na marcação sobre Santos Borré. Foto: Divulgação/CARP

No meio-campo, Richard e Christian marcariam e apoiariam, enquanto Lucho González jogaria mais aproximado de Walter. Quando o Athletico tivesse a bola no pé, apostaria na velocidade de Carlos Eduardo, com menos obrigações defensivas. Na marcação, poderíamos ver até uma primeira linha com cinco jogadores para conter a pressão do River. Era uma tentativa de bloquear o meio e ter o contra-ataque rápido assim que a posse fosse recuperada.

River Plate x Athletico: o jogo

Diante dos Millonarios, que também tinham mudado o time (partiam para um 3-5-2, dando liberdade para Montiel e Casco pelas alas), o Furacão iniciou a partida tentando adiantar a marcação. A alteração tática dos donos da casa acabava ajudando o Athletico, que tinha menos jogadores para vigiar do meio para frente. Mas o sistema exigia muito de Erick e Cittadini, que muitas vezes ficavam no mano a mano lá atrás e depois precisavam ajudar na construção ofensiva. Tanto que o volante quase fez 1x0.

Este River Plate x Athletico estava bem mais equilibrado que o jogo de ida na Arena da Baixada. A ponto de Marcelo Gallardo gritar "joguem" para o seu time. E, para mostrar que o duelo estava parelho, logo depois de Casco acertar a trave, Carlos Eduardo obrigou Armani a fazer boa intervenção. Os argentinos pareciam surpresos com a postura rubro-negra - eles tinham imaginado uma série tranquila.

O primeiro tempo do confronto terminou 0x0, apesar da pressão portenha dos últimos minutos. E o Furacão estava bem. Paulo Autuori tinha acertado na estratégia, os visitantes impediam a blitz portenha (inclusive com aquela linha de cinco defensores que se desenhou antes de a bola rolar) e ainda tinham espaço para contra-atacar.

Hora da verdade

Os argentinos partiram para o ataque no segundo tempo. E fizeram Bento trabalhar, mostrando novamente que o menino assimilou muito bem a responsabilidade que recebeu em cima da hora. Mas a postura do River começou a colocar o Athletico nas cordas - obrigando inclusive Lucho e Walter a dar uma ajuda na marcação. Já era um cenário mais próximo da partida de Curitiba.

E já poderia estar 1x0 para os donos da casa, mas Bento fazia um jogo espetacular - a defesa no chute de De La Cruz, como um goleiro de handebol, foi incrível. Percebendo que a marcação no campo de ataque estava falha, Autuori tirou Walter e Lucho González e colocou Ravanelli e Renato Kayzer. Mas a blitz prosseguiu - e o treinador, até por isso, não fazia trocas para colocar o time mais à frente. Logo após as primeiras alterações apareceram Wellington e Fabinho nas vagas de Richard e Carlos Eduardo.

Nos minutos finais, a expectativa era por um contragolpe encaixado. Bastaria um para garantir a classificação - que se transformaria em um épico. Mas foi o River quem marcou, após o pênalti de Christian em Santos Borré. De La Cruz não marcou na cobrança, mas no rebote. A série estava decidida. Levou o favorito, mas o Athletico deixou a Libertadores de cabeça erguida.

Participe da conversa!
0