O sentimento que PSG e Bayern de Munique (5 a 4) deixaram no fim do jogo de Paris, pela Champions, é o de que o futebol alcançou o seu limite. A beleza do jogo e a variação de emoções com a marcha do placar foram tantas que, quem sabe, o futebol do futuro tenha até perdido o sentido. É que tão cedo não haverá nada igual. Nem mesmo no jogo de Munique, na próxima quarta, PSG e Bayern conseguirão superar essa obra que eternizaram na mente e no coração dos torcedores.
Sem amarras táticas, com respeito à individualidade do craque e profundo respeito à arbitragem, PSG e Bayern transformaram o futebol em um espaço épico. Nele, celebraram o futebol como teatro do drama e da alma (Nelson Rodrigues), ou como poesia (Pasolini). Daí, Neuer, Kimmich, Olise, Luis Díaz e Harry Kane (Bayern), além de Hakimi, Vitinha, Dembélé, Doué, João Neves e Bruno Mendes, entraram como jogadores e saíram como astros e poetas, com poder de interpretação de primeira grandeza.
Para homenagear o Brasil de Pelé, tricampeão do mundo, o cineasta e pensador italiano Pier Paolo Pasolini escreveu no jornal Il Giorno o texto “Uma linguagem de poetas e prosadores”. Para ele, o futebol europeu era um futebol-prosa, enquanto o brasileiro era futebol-poesia. Explicava: “Se o drible e o gol são o momento individualista-poético do jogo, isto quer dizer que o futebol brasileiro – ao contrário do italiano, que seria uma prosa estetizante – é um futebol de poesia”.
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Pasolini ficaria surpreso com o futebol de hoje.
O que jogaram PSG e Bayern, nós, brasileiros com cinco títulos mundiais e, até 2002, conhecíamos como um esporte chamado futebol. Hoje, o que se joga por aqui é um esporte praticado em gramados com buracos ou com artifícios plásticos, com violência dentro e fora de campo, esquemas defensivos como contrato de seguro para não perder, agressão aos raros talentos técnicos e uma arbitragem de conveniência, agora reforçada pela mão eletrônica.
E nós, teimosos, seguimos chamando esse esporte de futebol.
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