Com amarras, porque é impossível armar um jogo com Zapelli e Felipinho, quando se submetia à força defensiva do Mirassol, o Athletico usou o improvável ganhar na Baixada: Leozinho, que provoca arrepios quando entra, conseguiu colocar a bola em um vazio da zaga paulista para João Cruz cruzar e Viveros marcar o gol da vitória.

Quando a decisão de um jogo passa por Leozinho, pode se afirmar de que o Athletico não tem só um grande técnico, que faz um time limitado jogar. Tem um pouco de sorte, ou para quem nela não acredita, uma ajuda divina.

O Athletico termina a primeira parte do Brasileirão entre a quadra dos que seriam classificados diretos para a Libertadores. E o faz com duas assinaturas: a do treinador Odair Hellmann e do artilheiro Viveiros.

De Odair, em especial, pois sem ele não haveria Viveros. Hellmann foi o protagonista desta campanha, seguido do atacante, transformando todos os outros, inclusive os cartolas, em coadjuvantes.

Foi, como o “João” de João e Maria, de Chico, “o rei, o bedel e também o juiz”. Com raríssimos recursos técnicos, o treinador desafiou o principal dogma do futebol, que é o de que “o jogo se ganha no meio campo”.

Ambicioso e capaz, fez o Athletico terminar entre os quatro primeiros, alternando no meio Jadson, Felipinho, Portilla, Zapelli, Dudu, João Cruz e Leozinho. E, ainda assim, permitir a Viveros ser o artilheiro de campeonato, que tem Pedro, Flaco López, Kaio Jorge.

As dificuldades para ganhar, na Baixada, do sofrível Mirassol, provaram de que esse Athletico chegou no limite. Exaurido, não é capaz de repetir a campanha no segundo turno. Hellmann já cumpriu a sua missão. Resta, agora, o presidente Petraglia cumprir duas missões: não negociar Viveros e contratar um meio campo inteiro, pois com Felipinho, Portilla e Zapelli não haverá vida futura.

Viveros comemora gol em Athletico x Mirassol. (Foto: Geraldo Bubniak/ZUMA Press Wire).

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