A paixão por ídolos e valores, às vezes, torna-se um obstáculo ao alcance da consciência real das coisas. Os argentinos passaram quase meio século reduzindo Pelé a um nível inferior ao de Maradona.
Uma das raríssimas exceções entre eles era o treinador César Luis Menotti, a maior autoridade argentina para tratar de futebol. Houve um tempo, depois da conquista do Mundial de 1978, a sua palavra era lei. Explica-se, então, a razão por que Menotti contrariava o excesso dessa paixão do seu povo quando pregava que “Maradona é melhor do que Pelé”.
Antes de morrer, em 2024, aos 85 anos, Menotti falou:
“Não houve, não há e não haverá jogadores como Pelé. Nem eu, nem Diego (Maradona) duvidamos disso. As diferenças com Diego eram físicas, Pelé era um atleta. São esses jogadores que nascem e não se repetem. Para mim, Pelé era de outro planeta”.
Mais recente foi a posição do ex-jogador Jorge Valdano, que por ser companheiro de Maradona, no título mundial de 1986, México, respondia com reservas. Em documentário, concluiu que “Pelé é a idéia de perfeição no futebol”.
Pelé, agora, poderá ficar em paz.
Antes de enfrentá-lo, os argentinos terão que resolver uma questão interna: Messi é melhor do que Maradona? Só depois que resolverem poderão lembrar do nosso rei, Pelé.
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