O gol de Ángel Di María aos 21 minutos de partida pautou o restante da final da Copa América. O toque de cobertura sobre Ederson após ótimo lançamento de Rodrigo de Paul e falha grave de Renan Lodi permitiu à Argentina assumir a vantagem no placar, levando o Brasil ao desconforto de ter que buscar uma reação.

Lionel Scaloni e Tite são técnicos que têm características em comum, colocam seus times em campo com uma prioridade: não sofrer gols. Depois pensam em como marcá-los. E são assim mesmo contando, cada um deles, com jogadores do calibre de Messi e Neymar. Um conservadorismo que deixa de explorar o potencial disponível.

Dona da vantagem, a seleção argentina ficou mais confortável. Com calma e aproximação, saiu inúmeras vezes da pressão brasileira com toques curtos, picotando o jogo, cozinhando-o, conduzindo os rumos da peleja ao seu bel prazer. Mas e o time brasileiro, por que não reagiu? Por que não sabe, não parece treinado para isso.

Se na Copa do Mundo da Rússia o Brasil sofreu ao ver a Bélgica abrir 2 a 0, sábado voltou a mostrar suas deficiências quando encara um placar adverso. E Tite se perdeu completamente. Suas substituições fugiram ao próprio perfil do treinador, a ponto de, no segundo tempo, o time não ter mais meio-campo, acumulando atacantes.

Estavam reunidos na cancha Gabigol, Roberto Firmino, Vinícius Júnior, Neymar e Richarlison. Cinco jogadores de frente. Meio-campista, só Casemiro. Com isso, o camisa 10 recuava para armar o jogo solitariamente. Se Tite passou a competição deixando seu melhor jogador à frente, praticamente apenas para atacar, na final, sem querer, o castigou.

Neymar jogou boa parte da temporada no Paris Saint-Germain como meia-atacante, armando jogadas para seus companheiros, participando mais do jogo, tendo a bola frequentemente aos pés. Na seleção, passou quase toda a Copa América esperando a bola chegar para resolver. E até que resolveu em determinados momentos.

Na final, vendo o time em dificuldades e em meio à bagunça tática promovida pelo técnico, tentou levar o time adiante. Sozinho! Literalmente sozinho. Correu, driblou, apanhou, não deu. Não dava. Por que a equipe não foi preparada para, perdendo, jogar organizadamente a ponto de furar o bloqueio defensivo do adversário.

A Argentina levou o jogo sem grande sofrimento, mesmo com Messi em noite apagada, chegando a desperdiçar uma chance claríssima em ótimo passe feito por De Paul, o melhor em campo. Título merecido para o melhor jogador do certame, que não poderia passar toda a carreira sem erguer um troféu pela sua seleção.

Quanto à seleção brasileira, perdeu uma final, viu a rival quebrar um jejum de 28 anos sem título, mas tem lições importantes a extrair da noite no Maracanã. Tite precisa de novas ideias, deixar um pouco sua tribo de auxiliares que lhe dizem o que espera ouvir, abrir a mente, buscar novas formas de jogar, ousar, ou poderá ser vítima do próprio conservadorismo.

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