O Coritiba chega às rodadas finais do Brasileirão 2026 com um técnico interino, um elenco em crise, a torcida organizada dentro do CT da Graciosa e ainda brigando contra o fantasma do rebaixamento.

No primeiro ano completo da SAF à frente do clube em uma Série A de cabo a rabo, o panorama é melancólico. Em alguns momentos, parece um flashback das gestões amadoras anteriores.

O diretor executivo William Thomas passou praticamente toda a temporada longe das entrevistas coletivas e, quando finalmente apareceu para explicar suas decisões, deixou a impressão de que prestava um enorme favor à torcida, após o jogo contra o Vitória.

A falta de transparência virou marca registrada da SAF do Coxa nesta reta final de temporada. Principal responsável pela construção de um elenco limitado, que ainda não afastou o risco de rebaixamento, Thomas é apenas a ponta do processo.

Parece que ninguém da atual gestão gosta de falar. Ninguém quer aparecer. Estão todos confortáveis nos bastidores, longe dos holofotes, blindados em relação às eventuais críticas da torcida.

Diretor de futebol do Coritiba, William Thomas. (Reprodução/TV Coxa)

Vejamos, por exemplo, o importante cargo de CEO. Desde a saída de Lucas de Paula, em abril, o posto está oficialmente vago. “Hoje o CEO do Coritiba, que não aparece, é o filho do dono do Del Valle”, revelou o ex-presidente Vilson Ribeiro de Andrade.

Vilson se refere a James Deller, filho do bilionário Michel Deller, dono do Grupo Del Valle. Os equatorianos, aparentemente, já mandam no Coxa. Até o momento, no entanto, a SAF não entendeu ser necessário explicar nada disso para os torcedores.  

Coritiba inova com “CEO fantasma”

James Deller é, portanto, até onde se sabe, uma espécie de “CEO fantasma”. A existência de um dirigente ainda sem cargo oficial divulgado, mas com tamanho poder, é estranha e inconveniente. Mais do que isso: o silêncio da SAF sobre quem comanda o clube é arrogante e desrespeitoso.

No Alto da Glória, hoje, tudo acontece nos bastidores. Tudo vira burburinho e informação privilegiada, restrita a quem está lá dentro, a quem tem acesso. O torcedor comum, da arquibancada, obviamente, não tem a mesma sorte.

Foto do perfil de James Deller, apontado como novo CEO do Coxa. (Foto: Reprodução/Instagram)

O torcedor não recebe este tipo de informação sequer pela Associação, que deveria servir justamente como canal entre a SAF e a arquibancada. Seus integrantes, por outro lado, estão bem informados sobre a presença dos Deller e do Grupo Del Valle no Couto Pereira.

Quando a SAF foi vendida, em 2023, a promessa era de profissionalismo, governança e gestão transparente. “Nossa meta é a perenização do Coritiba na Série A e a frequência constante em campeonatos continentais”, afirmou Bruno D’Ancona, da Treecorp. Sem falar nas promessas de um novo CT e da reforma do Couto Pereira.

Três anos depois, o Coritiba novamente luta para sobreviver na elite sem que o torcedor saiba sequer quem conduz o projeto de fato. Pelo menos oficialmente.

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