Fernando Seabra foi procurado pelo Vasco, gostou do que ouviu e disse sim. Abriu uma garrafa de vinho, fez coração com as mãos. Na madrugada, comemorou. O Coritiba era passado. Malas prontas. Gratidão e bola pra frente.

Nos dias seguintes, no entanto, deu tudo errado. O Vasco foi Vasco. A multa não foi paga. A contragosto, Seabra foi obrigado a ficar. Se sua vontade tivesse prevalecido, estaria do lado oposto do vexame em São Januário.

Mas deu tudo errado para Fernando Seabra. Ele se viu obrigado não apenas a ficar no Alto da Glória, mas também a assistir a um time esfacelado ser duramente exposto. E justamente pelos cariocas que, por uma noite, sonhou em comandar. O treinador tem parcela de culpa. Mas o problema é maior.

Seabra não errou ao aceitar o Vasco. A forma como conduziu a situação foi desastrada. Águas passadas. Ainda assim, ficou evidente: o Coritiba serve de trampolim para o promissor técnico. Basta aguardar o próximo pulo. E ele tem lá a sua cota de razão.

A oferta cruzmaltina era financeiramente mais vantajosa. Mas o dinheiro não explica tudo. A última janela do Coxa deixou claro: não há grandes ambições no momento. Se Seabra tem pressa de chegar mais longe, deve mesmo sair. Nem que seja para o Vasco.

Seabra tem de recorrer a reforços sem ritmo de jogo no Coxa. Foto: Jorge Rodrigues/AGIF/Sipa USA/IconSport

Ao que parece, no atual estágio, o projeto da SAF consiste em contratar barato. Investir o mínimo. Conseguir um lucrinho para os sócios. Ou melhor: “valorizar o ativo” e, quem sabe, passá-lo adiante. Em campo, evitar o rebaixamento. E, com sorte, beliscar algo a mais. Nesse cenário, o trabalho de Seabra é acima da média.

Quem viu tudo de perto na capital carioca foi o bilionário equatoriano Michel Deller, homem forte por trás do Independiente del Valle. Aos poucos, sem anúncios e nas sombras, seu grupo ocupa cada vez mais espaços no comando do Coritiba. Não havia jogo melhor para Deller estar presente.

Há relatos de que deixou o estádio irritado. Não deveria. Viu o que precisava ver: um Coritiba fragilizado, um técnico sem opções, jogadores improvisados e reforços baratos sem ritmo de jogo. E um treinador que, meses antes, havia escolhido estar do outro lado.

Mercado da Bola do Coritiba
ENTRADAS
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Volante
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