Se estiver desanimado, evite o Campeonato Saudita. A experiência é deprimente. Partimos da premissa de que os atletas em campo estão entre os mais bem pagos do mundo.

E, apesar disso, o que predomina, especialmente entre os craques, é a displicência. Por vezes, as atuações beiram o descaso. Tomemos como exemplo o Al-Nassr, do incansável, mas visivelmente extenuado, Cristiano Ronaldo.

Jogadores do nível de Sadio Mané, João Félix e do brasileiro Ângelo, quando querem, resolvem jogos com rapidez e facilidade. Enfileiram adversários em ritmo de treino. Mas há um problema: só fazem isso quando é estritamente necessário. A contragosto. E há Bento, de quem falaremos mais tarde.

No geral, parecem desconectados. Sem interesse. E os jogos, com frequência, viram uma pelada de intervalo de colégio. Todo jogador deseja o sucesso financeiro. Os sonhos de infância, no entanto, costumam vir acompanhados de alguma glória esportiva.

Quase todos sonham em ficar milionários. Mas jogar na Arábia, em noites de 37 graus, diante de estádios semivazios e longe dos grandes palcos, não passou pela cabeça de nenhum jovem craque. Talvez, de forma inconsciente, esta frustração transpareça nos jogos. Chegaram lá apenas pelos fluxos econômicos do futebol moderno. Aconteceu.

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Ronaldo busca recordes na Arábia. Foto: Khalid Alhaj/MB Media/IconSport

O holandês Tijjani Reijnders trocou o Manchester City pelo Al-Qadsiah. E admitiu: foi pelo dinheiro. Quer garantir não apenas a própria aposentadoria, mas o futuro financeiro dos filhos e netos. Conseguirá.

É o sonho de todos nós. A tranquilidade financeira. Não há problema algum nisso. Pelo contrário. Mas sem hipocrisia. Não tentem nos convencer de que existe algum mérito esportivo nesta escolha.

Como uma espécie de Romário na Austrália, Cristiano Ronaldo, por exemplo, foi para lá bater recordes feito um maníaco, em busca dos gols que não encontraria nas ligas de primeiro nível.

O desânimo, aliás, parece ter afetado duramente Bento. Quem viu o goleiro surgir no Athletico reconheceu uma grande promessa. No time saudita, porém, ele falha com frequência. O semblante sugere apatia. Pode ser apenas impressão. Bento foi especulado por grandes europeus. Sonhou com a Itália. Mas o Furacão o negociou com o Al-Nassr.

Bento parecia destinado a assumir a titularidade da seleção brasileira de Carlo Ancelotti no novo ciclo até a Copa de 2030. Hoje, ficou atrás de Hugo Souza, Otávio e Pedro Morisco. Antes, já havia perdido espaço na reta final da disputa pela Copa de 2026. A Arábia encheu sua conta bancária. E esvaziou sua carreira esportiva.

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