Giuliano, o último craque revelado pelo Paraná Clube, despediu-se dos gramados. O adeus do camisa 10 nato, criado na Vila Lindóia, encerra uma dinastia de talentos forjados na Vila Capanema.

A linhagem tem início com Maurílio, fruto original da comunhão entre Colorado e Pinheiros. Depois, tem sequência com Ricardinho, o pentacampeão mundial; ganha força com a categoria de Lucio Flavio; passa pelo controverso Thiago Neves; e, por fim, converge no iluminado Giuliano. Ou apenas Giu, para os amigos.

Não houve um instante em que, nas quadras da Kennedy ou nos campos das Vilas Olímpica e Fanny, onde a base tricolor mandava jogos, alguém olhasse para ele sem atestar imediatamente: nasceu mais um craque.

Se dependesse exclusivamente do Tricolor, aliás, Giuliano provavelmente teria despontado em algum outro clube. Não faltaram convites de Athletico e Coritiba. Sondagens de grandes times de São Paulo. Outros foram, ele ficou.

Mesmo naquela época, o Paraná já era conduzido com um descaso que beirava o puro amadorismo. Quase todo talento era perdido para os rivais locais antes mesmo dos 15 anos. A estrutura da base era escassa. Pais de atletas recorriam a vaquinhas. Bem, hoje sabemos onde tudo isso foi parar.

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Giuliano em ação no Tricolor: início de uma carreira vitoriosa. Foto: Arquivo

Mas Giuliano ficou. Em parte, graças à mobilização de sua família e de outros pais de atletas, sempre dispostos a colaborar. Mas também por causa de certa ligação territorial, umbilical, com o clube da Vila Capanema.

Era o destino. O que veio depois, todos sabemos. Internacional, Dnipro, Grêmio, Zenit, Fenerbahçe, Al-Nassr, Basaksehir, Corinthians, Santos, Athletico. Seleção brasileira. Títulos, reconhecimento. O pacote completo.

Nada que tenha surpreendido quem o viu surgir. Anos depois, já consagrado, Giu declarou: “Tudo o que sei devo ao Paraná”. Nas quadras da Kennedy ou nos campos das Vilas Olímpica e Fanny, ninguém hesitava ao vê-lo, sempre com a 10 nas costas: nasceu mais um craque.

A despedida de Giuliano, nas palavras do agora ex-jogador

“O futebol foi a melhor coisa que me aconteceu. Foi através dele que eu sonhei ainda menino, conheci o mundo, vivi momentos que jamais conseguiria explicar e me tornei o homem que sou hoje.

Ele me deu muito. Mas também me pediu muito. Foram anos de renúncias, distância, dores, derrotas, recomeços, pressão e dias que eu gostaria que durassem para sempre.

Quando olho para trás, não vejo apenas jogos, gols, títulos ou camisas. Vejo a minha vida. Vejo minha família caminhando comigo.
Vejo pessoas que acreditaram quando tudo ainda era apenas um sonho.

Vejo aquele menino que começou sem saber até onde o futebol poderia levá-lo. E hoje eu posso dizer para ele: valeu a pena.
Valeu cada treino. Cada viagem. Cada lágrima. Cada queda. Cada vez que precisei começar de novo.

Sou profundamente grato a Deus por ter me permitido viver tudo isso. Hoje, um ciclo dentro das quatro linhas chega ao fim.
Mas aquilo que o futebol construiu em mim permanece. Algumas histórias não terminam quando o apito soa. Elas apenas mudam de campo.

Obrigado, futebol.
Por tudo.

O jogo continua”.

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