Perder um campeonato em que há obrigação de ganhar, não é vergonha. É que, muitas vezes, o futebol se torna traiçoeiro para esvaziar a lógica como ciência exata. Bem por isso, que o imortal Nelson Rodrigues introduziu o imponderável como motivo para explicar alguns repentes do futebol.

Fosse outro tempo, estaria, aqui, afirmando que a derrota do Furacão para o FC Cascavel (2 a 1), em Cascavel, que eliminou a chance do tetra inédito no Estadual, foi uma dessas traições do futebol.

Há um certo momento da vida em que a paixão torna você um ingênuo. No caso, não se pode desconsiderar que o FC Cascavel não fez tudo para não jogar por falta de jogadores. Só jogou porque a Justiça impôs. 

E, no Furacão, estavam todos lá: Marcinho, Pedro Henrique, Thiago Heleno, Nikão, Richard, Jadson, Kayzer e Carlos Eduardo. Então, afirmar que o Furacão perdeu por essas coisas inesperadas, já não é ingenuidade, mas hipocrisia.

Pode até ter sido provocada a ilusão com o gol de Nikão, aos 4’ da etapa inicial. No entanto, bastou o tempo intervalo para José Luiz Fonseca, substituindo Tcheco, juntar os fragmentos do seu time e apontar as inúmeras deficiências do Athletico para empatar com Rogério aos 2’, e Itaperuna aos 18’ da etapa final.

Eis a única verdade: o Furacão perdeu o tetra porque foi medíocre na alma e no comando de Petraglia e Autuori.

E não se culpe os jogadores, embora no conjunto, comandados por Oliveira e Autuori, forme um time de cabeça de bagre. Na prática, são apenas instrumentos para a execução da proposta de que vitórias e conquistas são péssimos negócios por serem onerosas, conforme pregação antiga do seu presidente.

O que seria apenas uma vergonha estadual, tornou-se uma vergonha nacional, tamanha a repercussão do fracasso em razão das circunstâncias.     

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