O empate em 1 a 1 contra o Bragantino, na Baixada, deixou os atleticanos aborrecidos. É de compreendê-los, como é compreensível toda vez que um time domina jogando bem, em casa, e deixa de vencer.

Foi o que aconteceu. Bem ordenado, bem ativo e sem esperar que o jogo acontecesse por si só, o Furacão poderia até ter goleado o time de Bragança, tamanho foi o seu domínio.

Daqueles que menos se esperava, surgiu a causa do empate: Mendoza, João Cruz, Leozinho e, em especial, Viveros foram perdendo gols, um atrás do outro. No final do primeiro tempo, todos os gols perdidos simbolizavam a capacidade de se “encher um caminhão”, como se dizia antigamente.

Houve um pouco de soberba dos atleticanos, sem dúvida. De Mendoza, na primeira bola, pois, querendo ser o craque que nunca será, ao invés de dominá-la para concluir, quis cabecear e jogou na trave. De falta de concentração de Viveros, que, em duas oportunidades, não levantou a cabeça para finalizar as jogadas, perdendo-as para a zaga. E, por último, por causa do goleiro Tiago Volpi. Excepcional, evitou gols nas conclusões de Leozinho e João Santos.

E nem mesmo a melhora do Bragantino, tampouco o gol do zagueiro Pedro Henrique, aquele da inexplicável expulsão na final da Libertadores em Guaiaquil, impediu o domínio rubro-negro. O Furacão continuou perdendo gols até que Vargas empatasse.

Pedro Henrique e Kevin Viveros disputam jogada durante Athletico x Bragantino pelo Brasileirão
Pedro Henrique, ex-Athletico, disputa jogada com Kevin Viveros durante o empate com o Bragantino. Foto: Geraldo Bubniak/AGB/IconSport.

Mas há coisas que Odair poderia melhorar. Leozinho é apático. Pensando que firula produz alguma coisa, não participa do jogo, esperando a bola no pé. Kerwin Vargas tem tudo o que Leozinho não tem: vontade, velocidade, inteligência e presença de área.

Os atleticanos precisam entender que o Furacão pode jogar bem, como jogou, porque tem o notável Odair Hellmann no seu comando. Mas há coisas que ele não pode resolver, como transformar a organização do jogo em gols. Esses estão sempre na esfera individual do jogador.

O jogo do Furacão foi tão bom que me lembrou de Jorge Valdano, enquanto treinador do Real Madrid. Em 1994, após o Real perder para o Sporting de Gijón, Valdano reuniu os jogadores e falou:

“Quando se joga assim, temos permissão para perder”.

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