Não faltam escritas e falas imortais sobre Pelé. Entre nós, a do jornalista Armando Nogueira, em sua Remington, da redação do Jornal do Brasil, escreveu: “Se Pelé não tivesse nascido gente, teria nascido bola”.

Pier Paolo Pasolini, cineasta italiano, em uma verdadeira ode, tamanho o seu lirismo, confessou: “No momento em que a bola chega aos pés de Pelé, o futebol se transforma em poesia”. 

Bem que Messi poderia finalizar comparações, seguindo o realismo do holandês Johan Cruyff: “Posso ser um novo Di Stéfano, mas não posso ser um novo Pelé. Ele é o único que ultrapassa os limites da lógica”.

Mas escritas ficam escondidas e falas são esquecidas. Com o tempo, por mais fortes que sejam, tornam-se comuns, porque Pelé inspirava e continua inspirando até os mais comuns como eu, que no dia da sua morte, escrevi:

“Pelé foi a prova de que Deus andou por aqui. Deus foi embora e deixou Pelé em seu lugar”.

Bem por isso, a história de Pelé precisava ser mostrada de outra forma. Então, em um projeto genial do Hospital Pequeno Príncipe, fez-se uma obra que só não é definitiva porque nada é definitivo sobre Pelé. “Foto e Bola: histórias de 10 fotografias de Pelé”.

Abre-se o livro, e vai encontrar-se Pelé como rei e a Rainha Elizabeth como sua súdita, na tribuna de honra do Maracanã. Em uma certa página, Pelé adolescente, encostado no alambrado da Vila Belmiro com um sorriso humilde, talvez, perguntando: “O que será de mim?”. Lá está o retrato que é o simbolismo de tudo: depois de um gol, Pelé pulando e socando o ar. 

Pelé, Rei do Futebol, em imagem que ilustra livro sobre sua trajetória
Pelé é tema de livro que revela as histórias por trás de 10 fotografias icônicas do Rei do Futebol. Foto: Ovidiu Hrubaru / Alamy/IconSport.

São dez fotos cujas histórias são escritas a partir do depoimento de cada autor, os jornalistas José Dias Herrera, Lemyr Martins, Walter Firmo, Evandro Teixeira, Luiz Paulo Machado, Otto Stupakoff, Sergio Jorge, Domício Pinheiro, Alberto Ferreira e Luiz Carlos Barreto

Barreto, que morreu recentemente, foi aquele provocou Bellini a praticar o gesto que se eternizou, o do capitão levantar a taça bem alto.

O projeto não poderia ter escolhido um escritor melhor: Sandro Moser. É um artista. A sua escrita exerce um fascínio por expressar as emoções e alcançar os sentimentos do leitor. É daqueles que para escrever acredita em Saint-Exupéry, no seu “O Pequeno Princípe”: “O essencial é invisível aos olhos, e só se vê bem com o coração”.

“Foto e Bola: histórias de 10 fotografias de Pelé”: o lançamento será realizado neste domingo, 16 de agosto, das 10h às 13h, no Museu Paranaense (MUPA), com entrada gratuita e o exemplar do livro gratuitos. É um livro para deixar exposto na sala de casa e do escritório.

Siga o UmDois Esportes