O Coritiba no Brasileirão, por enquanto, é o menor dos problemas. Embora provoque desconfiança, vai sendo levado de arrasto pelo treinador Fernando Seabra. No meio da tabela, vai cumprir o objetivo inicial de não ser enquadrado na fotografia de candidato ao rebaixamento. Afastando-se desse, pode conseguir uma vaga na Sul-Americana.
Para o torcedor de arquibancada, o que importa é isso. No caso dos coxas, parece não importar se os donos da Sociedade Anônima de Futebol estão prestando ou irão prestar as obrigações anexas, presentes e futuras.
Por contrato, duas, em especial: a construção do Centro de Treinamento, ao custo de R$ 100 milhões, e a reforma completa do Estádio Couto Pereira, ao custo de R$ 500 milhões.
Depois de Evangelino Neves (1925-2008), os únicos dirigentes que acrescentaram um elemento material ao patrimônio do Coritiba foram Bayard Osna (1940-1993), que adquiriu o CT da Graciosa, e Vilson Ribeiro de Andrade, que adquiriu a área de Campina e modernizou parte do Couto Pereira com a construção, na arquibancada da Rua Mauá, de cadeiras e camarotes, um velho sonho da torcida coxa, identificada como “Pro Tork”.
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Do Couto, há o prazo de mais três anos para o início das obras. Há obras pontuais, mas sem implicar o cumprimento da obrigação, que é um “novo Couto Pereira”.
A questão é o Centro de Treinamento, na área de Campina Grande do Sul. A dona do Coritiba SAF, Treecorp, que já é titular do domínio da área, há tempo vem postergando a construção do Centro de Treinamento, sob o pretexto de que há “um impedimento ambiental”.
É falso. Antes da compra da área, para evitar esse incidente, o Coritiba buscou um laudo de agente estatal. Após analisar as características da área, o laudo conclui: “Diante do exposto, sugere-se não haver óbices à construção do Centro de Treinamentos (CT) na ZUA da APA do Iraí. Entende-se assim, pois esta zona é permissível a atividades de ‘clube’; sociedade recreativa, esportiva ou cultural; campo desportivo, restaurante; outras atividades e serviços ligados ao turismo, lazer e recreação”.
Pode até existir o alegado impedimento ambiental em razão do projeto da Treecorp a ser executado, ou por uma legislação superveniente à compra da área, que pode ser enfrentada com adaptação do referido projeto.
E há um fato relevante: para adquirir 90% das ações da SAF, a Treecorp fez uma análise técnica da área, conciliando-a com a legislação ambiental, para concluir sobre a possibilidade de construção do Centro de Treinamento. Não pode agora não construir ou retardar a construção sob o pretexto de “impedimento ambiental”. Do contrário, seria o comportamento contraditório vedado pela lei.
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É fato notório que a Treecorp já não é mais a titular dos 90% das ações da Sociedade Anônima do Coritiba. Negociando 30% com o grupo Independiente del Valle (Equador) e 30% com o Banco Safra, manifestou tacitamente a sua indisposição de investir no patrimônio imobiliário da sociedade. Não se sabe o acordo entre os acionistas sobre a responsabilidade da prestação dessa obrigação.
Em resumo, é isso: a dona do Coritiba SAF não tem vontade política e financeira para investir R$ 100 milhões na construção do CT de Campina Grande do Sul.
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