A vitória sobre o Japão, em Houston, por 2 a 1, empurrou o Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo e provou a natureza lógica do futebol. Um time pode ser disciplinado, quase perfeito no aspecto tático, como se fosse movido por uma mecânica singular. O Japão foi. Pode ter espírito de renúncia e até dar a alma em campo, lutar até a exaustão. E o Japão teve esse espírito e o demonstrou.

Mas há um elemento com o qual o futebol não transige para que se alcance a vitória: a qualidade técnica de um time. Foi dela que se originou a lógica que explica esse triunfo do Brasil.

No entanto, para que a lógica da técnica prevaleça dentro de campo, é preciso haver um comando lúcido fora dele. Enquanto o narrador Everaldo Marques pedia por “Jesus, José e Maria”, a torcida se descabelava e as crianças choravam, o técnico Carlo Ancelotti apenas pensava. Em meio ao estado de loucura que tomava conta do jogo, ele era o único que permanecia tranquilo e racional.

Bruno Guimarães lidera assistências na seleção brasileira. (Foto: Rodolfo Buhrer/AGIF/Sipa USA/Icon Sport).

No intervalo, acertou a equipe ao substituir o incompleto Lucas Paquetá por Endrick. Ingênuo, o Japão não percebeu que o Brasil passaria a construir suas jogadas pelo lado esquerdo, com o avanço do excelente zagueiro Gabriel Magalhães. A bola saiu de seu pé esquerdo com uma curva programada para cair exatamente onde deveria: como na saudosa narração de Luciano do Valle, no costado da defesa, na cabeça de Casemiro, para o empate em 1 a 1.

Bendita a pausa para hidratação para quem tem um grande treinador. Ancelotti não precisou de mais do que os três minutos da segunda etapa para adiantar Bruno Guimarães e já pensar em seu amuleto, Gabriel Martinelli. Não foi coincidência que, no último minuto de jogo, em meio a “cem mil” japoneses, Bruno Guimarães tenha encontrado espaço, mantido a visão de jogo e lançado Martinelli. Mesmo caindo, o atacante finalizou no canto esquerdo de Zion Suzuki.

Para ter lógica, o futebol exige um técnico e jogadores capazes de quebrar paradigmas. No gramado de Houston, o Brasil teve Carlo Ancelotti, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães.

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