O CT Ninho da Gralha, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, vive uma nova realidade desde que o Paraná Clube deixou definitivamente o local em 2025. O Tricolor inaugurou o centro de treinamentos em dezembro de 2008 sob grandes expectativas. O espaço assinalava a esperança de um futuro de sucesso, com o foco na revelação de talentos.
Pouco mais de uma década depois, o sonho paranista ruiu completamente. De símbolo do futuro, virou mais um exemplo de má gestão de um clube que teve o patrimônio dilapidado por sucessivas diretorias e que, dentro de campo, despencou no Brasileirão e hoje vive a melancólica realidade de sequer ter calendário nacional.
Após uma série de penhoras, em outubro de 2019 o Paraná acabou perdendo definitivamente o espaço na Justiça para quitar dívidas com o empresário Carlos Werner, ex-cartola que entrou na sede da Kennedy ao lado do ex-presidente Leonardo Oliveira e emprestava dinheiro ao clube. O Tricolor ainda seguiu utilizando o Ninho até 2025, em um acordo com Werner.
Agora, sob o comando da SAF, o clube deixou de vez a antiga casa em Quatro Barras, apostando na transformação da Vila Olímpica do Boqueirão em novo CT. Já o Ninho, agora sob gestão exclusiva de Werner, tenta encontrar um futuro, sem o clube que o construiu.
Atualmente, o espaço conta com aluguéis para eventos que ajudam nos custos com a manutenção do terreno de 260 mil metros quadrados, que pode ter até sete campos oficiais e alojamento para até 100 atletas, além de área de refeitório e uma linda vista para a Serra do Mar.
Carlos Werner diversifica atividades do Ninho da Gralha, ex-CT do Paraná
Nos oito meses sem a presença paranista, o Ninho da Gralha virou palco para eventos e retiros de igreja da região e também foi a base e o local de largada do Campeonato Brasileiro de Corrida em Trilha e Montanha, em março.
Além disso, recebeu o evento da Life Academy, que trabalha com jovens, e está se preparando para receber, nos próximos meses, os cursos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para treinadores e preparadores físicos.
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De acordo com Ananias Junior, gestor do Ninho, os eventos são essenciais para manter o funcionamento do local. “Como a gente tinha um acesso grande com igrejas, fizemos alguns eventos de igreja de um dia inteiro e, algumas vezes, retiros de sexta-feira a domingo. Isso fez com que a gente alavancasse valores para manter o CT. Também fizemos eventos como a corrida de montanha, com 440 atletas, e com a Life Academy, que teve 300 atletas”, explica.
“É primordial [a realização dos eventos]. Como são eventos curtos e de alto valor, seja da CBF, da Life ou de igreja, por ser um número maior de pessoas e valor agregado, se torna interessante. Dá para fazer essa manutenção do CT”, afirma Ananias Júnior, em entrevista ao UmDois Esportes.
Os investimentos no Ninho da Gralha
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Desde o começo do ano, o Ninho da Gralha recebeu investimento de aproximadamente R$ 1 milhão para melhorar toda a infraestrutura.
O local de concentração dos jogadores e comissão técnica contou com melhorias consideradas básicas, como a troca de torneira, beliches e colchões e novos ar-condicionados. A situação é a mesma da área de descanso, que também recebia as visitas de familiares dos profissionais.
Com as novidades, o hotel, que antes atendia cerca de 40 pessoas, agora acomoda até 100. O restaurante iniciou a sua reforma nas últimas semanas e espera ampliar a sua capacidade para até 200 lugares.
Além disso, os três principais gramados também receberam manutenção nos últimos meses. Os dois campos que normalmente eram utilizados nos treinamentos do Paraná Clube estão com a grama em ótimas condições. Ainda existe um terceiro campo, chamado de Miniestádio, que tem previsão de ficar pronto em novembro.
“Ideia é terminar o campo 1, que terá a grama roma, a melhor que temos hoje, em novembro. Quanto aos demais, a gente mantém, mas não replanta. Vamos estar com três campos prontos e mais dois semiprontos sem as demarcações, sem o replantio de grama de inverno ou verão. Necessitando, nós temos condições de fazer rápido”, destaca Junior.
Por conta das reformas, as cores do Tricolor estão cada vez menos presentes no Ninho da Gralha, e as pinturas foram feitas predominantemente em branco para deixar o local mais neutro. A entrada, a academia e uma placa em um dos gramados ainda deixam evidente que o CT um dia pertenceu ao Paraná Clube.
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O interesse do Coritiba no CT Ninho da Gralha
Na semana passada, o UmDois Esportes trouxe a informação que o Coritiba procurou outros locais para treinamentos, principalmente das categorias de base, e um deles era justamente o CT Ninho da Gralha.
A movimentação acontece em um momento de indefinição sobre a construção do novo centro de treinamento em alviverde, em Campina Grande do Sul, que ainda aguarda a obtenção das licenças ambientais. O Coxa esteve no Ninho da Gralha apenas para avaliação, mas ainda não fez nenhuma proposta para aluguel.
“Eles fizeram uma visita, olharam o local e ficaram de ver se atendia ao que estavam esperando. Até porque o terreno deles era bem maior em Campina Grande. Não tem nada certo. Certo é quando fecha negócio e assina contrato. Não existe isso. O negócio que estamos fazendo mesmo são os eventos. Não tem nada concreto com o Coritiba ou com os demais. Não foi só o Coritiba que procurou”, explica o gestor do CT.
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Procurado pela reportagem do UmDois na semana passada, o Coritiba assegura que a consulta à ex-propriedade do Paraná Clube teve como objetivo apenas verificar a possibilidade de utilização pontual dos campos pelas categorias de base, sem que isso represente, ainda segundo o clube, uma mudança no projeto de construção do novo centro de treinamento em Campina Grande.
A versão apresentada pelo Coxa é de que foram realizadas apenas consultas para possíveis aluguéis de campos, com o objetivo de ampliar os espaços disponíveis para as categorias de formação. Neste momento, não existe uma decisão pela troca do terreno ou pelo abandono do projeto em Campina Grande do Sul.
Do outro lado, a gestão do Ninho ainda aguarda uma proposta, seja do Coritiba ou de outro interessado para manter o local ativo. “Pressa não temos, mas, por outro lado, um lugar deste tamanho sem ninguém não tem o porquê fazer tantas reformas. A gente espera que alguém venha, seja igreja, campeonatos, mas vai continuar fazendo as reformas. Não dá para deixar cair para não ter que reconstruir”, destaca Junior.
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