O único fato que era inesperado e seria a única forma do Athletico ser eliminado da Copa do Brasil, em Salvador, pelo Vitória, era o seu goleiro Santos falhar. Era inesperado em razão de seu histórico de ser um salvador nos momentos mais importantes do clube nos últimos tempos. Pelas suas defesas, ganhou a Sul-Americana em 2018 e a Copa do Brasil em 2019.
Aconteceu o inesperado. “Corro perigo como toda pessoa que vive. E a única coisa que me espera é exatamente o inesperado” (Clarice Lispector).
O goleiro Santos, 36 anos, aos 11 minutos de jogo, parecendo um juvenil, praticou um dos erros fatais do goleiro que imobiliza toda a defesa, que é o rebote de uma bola defensável para dentro da área. Como se desse um passe com as mãos, rebateu nos pés de Renê, 1 a 0.
Logo, Santos, voltará ao roteiro do jogo. E não será bom. A consequência da falha de Santos não se limitou ao gol. A partir dele, o Athletico começou a ser desestruturado. A sua maior posse de bola era inútil, porque inúteis eram Leozinho e Mendoza, que isolavam Viveros, outra vez.
O meio de campo era dispersivo. Luiz Gustavo, em especial. Atraindo o comando para si, limitava-se a rodar e fazer um jogo lateral. Isso quando não falhava na marcação, como aconteceu aos 49 minutos dessa etapa inicial, permitindo que Erick fizesse uma jogava na entrada da área e chutasse no canto direito da meta de Santos, 2 a 0.
O Athletico voltou com João Cruz e Vargas, sem Leozinho e Derik e até que deu sinais de vida. Em três escanteios cobrados por João Cruz, o goleiro Lucas Arcanjo salvou o Vitória. Mas Santos voltou a falhar. Aos 15 minutos do segundo, saiu para cortar a bola de escanteio e errou o soco. Renê fez 3 a 0.
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O Furacão voltou a se esvaziar, mostrando que não tem força emocional para reagir. Com Zapelli e Dudu em campo, continuou inoperante, passando quase 15 minutos sem dar um único chute a gol. Até que veio a humilhação: na última bola do jogo, aos 47 minutos, Marinho fez 4 a 0.
Embora as falhas de Santos fossem a causa imediata para o fracasso e a eliminação do Athletico, não encerram uma verdade: está se supervalorizando os seus resultados, sem analisar os motivos. A vitória sobre o Internacional foi resultado das falhas dos zagueiros gaúchos. E sobre o Vitória, na Baixada, do gol perdido por Renê e uma defesa de Santos.
Odair Hellmann, também, tem lá seus pecados. Não há explicação razoável para insistir com Leozinho e Mendoza como titulares. Leozinho é um faroleiro e Mendoza preguiçoso. É inexplicável que não se procure uma solução definitiva com João Cruz, Dudu e, agora, Vargas.
Mais do que humilhante, foi uma goleada frustrante, que é aquela em que o torcedor acredita em todos os profissionais que depois o decepcionam. Um desastre essa eliminação do Athletico, em um torneio que está sendo acessível até para os últimos colocados no Brasileirão como Santos e Inter.
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