Paraná

Paizão, exigente, avesso à exposição e professor; conheça o Maurílio treinador

Maurílio tem o seu primeiro grande desafio na carreira.
Maurílio tem o seu primeiro grande desafio na carreira.| Foto: Divulgação/Paraná
  • PorLuana Kaseker
  • 23/02/2021 09:13

A torcida do Paraná lembra muito bem do Maurílio jogador. Atacante brigador, rápido, com visão de jogo e recurso. O artilheiro completo. Na galeria de títulos, ajudou o Tricolor a conquistar os Paranaenses de 1991 e 1995 e a Série B de 92.

Aos 51 anos, o "Rambo da Vila" ficou marcado na memória de muitos torcedores na época de glória. Agora, o ídolo retorna para comandar o time. Mas como será esse Maurílio treinador? O UmDois Esportes conversou com pessoas ligadas ao técnico para explicar suas características, a forma de gerir o grupo e o estilo de jogo.

Maurílio em ação pelo Paraná em 1995. Foto: Antonio Costa/Arquivo/Gazeta do Povo.
Maurílio em ação pelo Paraná em 1995. Foto: Antonio Costa/Arquivo/Gazeta do Povo.

Bons resultados em clubes de menor expressão

Maurílio sempre esperou por uma oportunidade no Paraná. O clube, pelo qual ele tem um carinho gigante, demorou para dar essa chance como treinador. Em uma temporada complicada, o Tricolor espera que ele traga novamente esse amor por vestir as cores tricolores.

O Paraná vai ser a grande chance de Maurílio à beira do gramado. Mas as experiências em clubes de menor expressão foram importantes para o crescimento profissional, e ele carrega importantes feitos recentes. O meio-campo Esquerdinha foi comandado por Maurílio no Ferroviário em 2018 e no Guarany de Sobral em 2020. Hoje no Icasa, ele fala sobre o treinador.

Maurílio comandando o meia Esquerdinha (ao centro) no Guarany de Sobral. Foto: Reprodução.
Maurílio comandando o meia Esquerdinha (ao centro) no Guarany de Sobral. Foto: Reprodução.

"No Ferroviário, ele montou o time que foi campeão da Série D. Na saída, ele deixou o time invicto, classificado para o mata-mata em primeiro, com melhor saldo de gols e melhor campanha. No Guarany de Sobral, ele chegou para salvar o time na reta final e conseguiu ganhar o grupo e fazer o Guarany mostrar um futebol mais organizado", conta Esquerdinha.

O ex-atacante e hoje auxiliar técnico Jaci Luis Pichetti é o grande companheiro do treinador nessa jornada. Eles, inclusive, jogaram juntos pelo Paraná em 1995. Desde 2018, Pichetti é auxiliar de Maurílio e só não será no Tricolor por conta de um pedido da diretoria do Paraná, que optou pelo também ex-ídolo Ageu para a função.

"Nossa primeira experiência como treinador e auxiliar foi no Rio Branco, de Paranaguá, em 2018. Nós conseguimos um fato histórico, que foi levar o time pela primeira vez para uma final de turno. Nós eliminamos o Athletico dentro da Baixada na semifinal e fizemos a final com o Coritiba em jogo único. A gente perdeu, mas, já na primeira experiência, marcamos história juntos", contou.

Pichetti e Maurílio foram campeões da Copa Alagoas pelo ASA. Foto: Reprodução.
Pichetti e Maurílio foram campeões da Copa Alagoas pelo ASA. Foto: Reprodução.

"Depois, em 2019, atuamos juntos no Treze, da Paraíba. No ano seguinte, no Altos do Piauí. E, ano passado, assumimos o Asa de Arapiraca, onde conseguimos o título de forma invicta da Copa Alagoas, que deu vaga para a Série D do ano seguinte. Após a paralisação do futebol, fizemos um trabalho curto no Guarany de Sobral. Aí o Maurílio recebeu uma proposta do Itabaiana (em janeiro) e foi a primeira vez que a gente não pôde trabalhar juntos", completou Pichetti.

Maurílio"paizão" e exigente com o grupo

Um importante feito do treinador é ter o respeito do grupo. Maurílio tem o perfil mais "paizão" no dia a dia, que aconselha e faz brincadeiras. No entanto, quando precisa, também cobra e exige resposta dos jogadores dentro das quatro linhas, como descreve Esquerdinha.

"Eu tenho um respeito enorme por ele. Ele é um cara paizão, um cara que chega, que bota moral na casa. É, sim, um cara exigente, porque gosta de ganhar título. Ele também é um cara que cobra bastante, mas com respeito. E, graças a Deus, eu tenho uma afinidade com ele tanto dentro como fora de campo", falou Esquerdinha.

Pichetti explicou que Maurílio é um cara reservado, que não gosta de exposição e que prefere ficar com a família. Além disso, ressaltou o lado "professor" do técnico, que, como ex-jogador, faz questão de mostrar fundamentos para os atletas.

"O Maurílio é extremamente dedicado à família e não gosta de exposição. Raramente vocês vão ver ele em local público, que não seja com a família. E, dentro do campo, ele é um pouco paizão, quando tem que ser, mas também exige e cobra quando tem que ser cobrado, depende da situação. Ele sabe lidar muito bem com o grupo. E é importante ter esse balanço".

"O Maurílio também gosta de mostrar como é que faz. Em determinado exercício, quando o atleta não está acertando, ele faz questão de ir lá e mostrar como é que se bate na bola. Ele tem essa facilidade. Ele sabe o momento certo de agregar o grupo, de reunir, de fazer um churrasquinho saudável. Tudo no momento certo, claro", completou o amigo e ex-auxiliar.

Maurílio no jogo-treino contra o Marcílio Dias. Foto: Allexandre Felipe/Paraná Clube.
Maurílio no jogo-treino contra o Marcílio Dias. Foto: Allexandre Felipe/Paraná Clube.

Como jogam os times de Maurílio?

A grande dúvida do torcedor paranista, depois da reformulação geral de elenco, será como esse Paraná vai jogar. Com mais de 15 reforços para serem anunciados, o time vem ganhando forma após quase 10 dias de pré-temporada. Ex-atleta de Maurílio, Esquerdinha disse que o treinador gosta de um time organizado, com posse de bola e jogadas de velocidade.

"Ele gosta de um time organizado, de posse de bola. Gosta de organizar as jogadas, com uma boa transição e um time rápido. Esse é o perfil do Maurílio. E um cara com uma conduta diferenciada. Excelente treinador e pessoa. Onde ele chega, ele ganha o grupo com suas histórias", garantiu o meio-campo do Icasa.

O ex-auxiliar Pichetti pondera que a forma como o Paraná jogará vai depender muito das peças disponíveis para o treinador.

"Depende do que o clube consegue oferecer, de peças e características. Nos clubes em que passamos, nós tivemos muitas dificuldades porque eram elencos limitados. Quando a gente chegava, já sabia que teria dificuldades. O teto salarial era tal e, em cima disso, a gente tinha que trabalhar. A gente adaptava o time conforme o jogo, o adversário e a competição. Tudo isso, de definir um estilo de jogo, vai depender do que o clube oferece de elenco", explicou Pichetti.

Comissão técnica de Maurílio conta com a presença do ex-zagueiro Ageu (à direita). Foto: Divulgação/Paraná.
Comissão técnica de Maurílio conta com a presença do ex-zagueiro Ageu (à direita). Foto: Divulgação/Paraná.

Primeiras impressões do treinador Maurílio

O meia Gabriel Pires falou, em entrevista à TV PRC, que o trabalho de Maurílio tem sido positivo nesses primeiros dias. Segundo o remanescente, o treinador tem deixado o grupo à vontade e passado várias dicas valiosas, de quem tem experiência dentro de campo e com a camisa paranista.

"O professor é muito claro com a gente, bem transparente. Ele deixa o grupo bem leve, bem à vontade. Acho que isso é bem positivo para todos nós. O ambiente de trabalho é tudo. E, pela forma que o professor está trabalhando, muitas coisas estão por vir", afirmou.

"Ele sempre passa dicas, e, quando você para e presta atenção no que ele está falando, você vê que são muito valiosas. E, como ele já esteve do nosso lado, é melhor porque ele nos entende bem e isso deixa todo mundo mais leve e tranquilo", finalizou.

O time de Maurílio estreia no sábado (27), às 19h30, contra o FC Cascavel, no Estádio Olímpico Regional.

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