Estamos vivendo tempos estranhos, um pouco por conta da imprevidência e trapalhadas de governantes e políticos em geral, muito por causa dessa terrível e interminável pandemia do coronavírus. Nunca é demais relembrar Fabrizio, o personagem de Stendhal que atravessou o campo de Waterloo sem dar-se conta de que ali se travava uma batalha, muito menos que era decisiva para a sorte do imperador francês Napoleão Bonaparte.

A vida também se repete.

Basta correr os olhos pelas ruas vazias, pelo comércio fechado ou pelo relatório dos prejuízos acumulados por quase todas as atividades comerciais e industriais. E pelo número de infectados, hospitalizados – com ou sem acesso a quartos e unidades de tratamento intensivo – além da chocante contagem diária de mortos.

Um ano mais tarde do início deste verdadeiro terror representado pela peste, podemos observar quanta gente continua atravessando o campo de batalha a pensar no próprio umbigo, sem perceber o que acontece ao redor. A angústia tomou conta de todos, não importando exatamente o motivo. Talvez seja apenas um sentimento coletivo de insegurança e desânimo.

O futebol, nosso assunto quase diário, também atravessa um momento de reflexão e acúmulo de prejuízos. Nem mesmo o poderoso Flamengo, o maior time do país em quase todos os quesitos, conseguiu escapar do caos. Teve 20% de queda no seu faturamento e começou a apertar o cinto para evitar o pior. Se a mais popular marca do futebol brasileiro está enfrentando problemas, dá para imaginar o drama das outras equipes.

Por aqui, o Athletico se equilibra graças ao faturamento obtido com as negociações de jogadores nos últimos anos e o Coritiba enfrenta tantas dificuldades financeiras que o seu Conselho Deliberativo deixou de aprovar as contas da antiga diretoria.

Os novos dirigentes, empresários e executivos bem sucedidos em suas áreas de atuação, apresentaram um projeto de recuperação do Coxa, mas já perceberam que não será a curto prazo e, talvez, nem a médio prazo.

O Paraná Clube abriu a boca e pediu água. Vítima de péssimas administrações nos últimos tempos, o Tricolor emite sinais de esgotamento para reagir em meio a grave crise provocada pela pandemia. Com poucos associados, escassos patrocinadores, sem recursos da televisão, inexistência de vendas de jogadores para o mercado interno ou externo e muito menos sem poder contar com a renda de público no estádio, o clube encontra-se em estado crítico.

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