No Brasil, a Copa do Mundo está servindo para vender jogos de apostas e ilusões. Bastou ganhar, sem traumas, de seleções periféricas como Haiti (3 a 0) e Escócia (3 a 0), para o brasileiro se deixar levar pela euforia.

Os sites de apostas e a Seleção Brasileira associaram-se em um mesmo negócio: a venda de ilusões. Aqueles vendem a ilusão da riqueza fácil, subtraindo o dinheiro do brasileiro; a Seleção Brasileira vende ilusões com vitórias impostas pela obrigação diante da fragilidade dos adversários. Quanto mais se vende a ilusão da vitória, mais se aposta.

A ilusão vendida pelos jogos de apostas é caso de polícia. A da Seleção Brasileira, não. É que, ao tratar de futebol, o brasileiro perdeu a consciência dos limites do time de Ancelotti.

As vitórias por 3 a 0 sobre Haiti e Escócia provocaram tanta euforia que parece que o hexa já está próximo. E, no entanto, a Copa do Mundo nem começou.

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Isso me faz lembrar uma das passagens mais geniais da literatura esportiva de Nelson Rodrigues. Ao tratar da euforia do brasileiro diante da vitória, escreveu:

“O brasileiro! Nós sabemos que, normalmente, o brasileiro é um fauno de tapete. Usamos sapatos para disfarçar os pés de cabra”.

A fase de grupos terminou, provocando a dúvida: “E agora?”. Nem o técnico Ancelotti consegue responder. Quando é provocado a indicar o futuro, responde com a mesma sinceridade com que canta o hino da nossa terra: “Calma, muita calma”.

E deve-se ter calma com um time que, por enquanto, vive dos lançamentos de Bruno Guimarães e dos gols de Vinicius Junior.

Bruno Guimarães em ação pela Seleção Brasileira durante partida da fase de grupos da Copa do Mundo.
Bruno Guimarães tem sido um dos destaques da Seleção Brasileira, contribuindo com lançamentos e a organização das jogadas ofensivas. Foto: Danilo Fernandes/Fotoarena/Sipa USA.

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