O tempo intervém em nossas vidas para dar-lhe lições. Bem por isso, não me surpreendi que Mário Celso Petraglia, presidente do Athletico, tenha reservado um pote de humildade para usá-lo à essa altura da sua vida.

Depois da vitória sobre o Ceará (2x0), com uma humildade de papa disse: “Felizmente chegamos hoje no número mágico para nos mantermos na elite do futebol brasileiro. De todos os anos vividos dentro do Furacão foi o ano que mais sofremos e nos preocupamos”.

A escrita de Petraglia, não se encerra na literalidade do texto como uma forma de desabafo de quem estava em desassossego. Da manifestação, extrai-se uma verdadeira confissão de quem praticou os erros que provocaram o fato (ameaça de rebaixamento) desse estado de aflição.

É sempre assim. Quando vencemos um estado de perda provável, desabafamos como se tivéssemos ganho dos nossos próprios erros. É a liberdade da dor de consciência.

Petraglia seria culpado em caso de rebaixamento

No caso, Petraglia tinha consciência de que se o Athletico fosse rebaixado ele seria o grande culpado por ser o presidente, embora, tenha sido, também, vítima do ex-gerente Paulo André a quem confiou o futebol, em um período de sua grave enfermidade.

Presumo que a porção de humildade de Petraglia não tenha se esgotado. E que tenha sobrado o suficiente para reconhecer, que só foi possível reagir em razão do valor do pensamento positivo que Paulo Autuori exerce sobre o ser humano e, em especial, sobre o jogador.

Qualquer um outro, que não fosse Paulo Autuori, não conseguiria de forma tão imediata e extraordinária fazer esse time jogar. Não deve ser fácil e confortável dizer todos os dias para Carlos Eduardo que ele “é o melhor atacante do Brasil”. Só que Autuori é humano e tem seus limites.

O que eu quero concluir é que o Furacão está vivendo de eventos e de pessoas ocasionais. Lá atrás, foi Tiago Nunes que precisou salvá-lo depois que a aventura irresponsável com Fernando Diniz o havia enterrado; agora, foi Paulo Autuori, que segurou no muque um Furacão em queda, por erros do seu comando.

Petraglia deveria aproveitar esse raro momento de humildade de reconhecer que também erra, para concluir que há um descompasso entre a estrutura material e gerencial do clube e as variações do futebol do clube.

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