O futebol me ensinou que a função do lateral era limitada a marcar o ponta e, eventualmente, correr para, em proteção, cobrir eventuais falhas dos zagueiros de dentro.

Era um coadjuvante até que, no dia 8 de junho de 1958, no estádio Rimnersvallen, em Uddevalla, na Suécia, o lateral-esquerdo Nilton Santos, abandonando o campo de defesa brasileiro, conduziu a bola pelo lado esquerdo do ataque e, já dentro da área austríaca, venceu o goleiro Szanwald.

Os laterais nunca mais foram os mesmos. O passo seguinte foi o de acumular as funções de marcar, cobrir e atacar. Na evolução dos esquemas de jogo, foi a sua função que mais foi atingida. Entre nós, surgiu um revolucionário chamado Cláudio Coutinho, que o transformou em ponta.

Bem resumido, o lateral, no futebol brasileiro, quando é craque, torna-se protagonista, ao ponto de ser o jogador mais importante de um time.

Faço esse histórico para chegar ao Club Athletico Paranaense. Seu protagonista é o artilheiro Viveros, mas seu craque, a luz que ilumina o caminho do seu jogo, o construtor e o executor de jogadas, é um lateral-esquerdo: o argentino Lucas Esquivel. É ele que, nos momentos mais difíceis do Furacão, arruma a solução para a vitória: vindo de trás com a bola, chuta direto ou cruza para Viveros. É gol. De bola parada, já provoca apostas nas arquibancadas. Ganha aquele que aposta no gol direto ou indireto.

O que escrevo não é para, divagando, preencher espaços, como exige uma crônica de jornal. Disserto para, assim, fundamentar a razão de o Athletico não ter ganho do sofrível Grêmio, empatando sem gols na Baixada.

Viveros disputa a bola com jogador do Grêmio em lance do empate do Athletico na Arena da Baixada.
Viveros briga pela bola contra o Grêmio em jogo que expôs dificuldades do Athletico. Foto: Reinaldo Reginato/Fotoarena/Sipa USA/IconSport.

Já seria difícil com o meio-campo formado por Felipinho, o ressuscitado, e Portilla, o menino que Hellmann pegou para adoção e que, por isso, para não deixá-lo em casa chorando, leva-o à Baixada e o coloca em campo para jogar. Sem Esquivel, expulso aos 32 minutos de jogo, o Athletico esvaziou. Às vezes parecia tão decomposto que parecia ter ficado com dois ou três a menos, tamanha a falta que o lateral faz.

Sem meio-campo, pois Portilla foi quase até o fim e, na saída, quase brigou com “papai”, e sem Esquivel, o Athletico empobreceu e foi reduzido ao ponto de ficar cego. Do contrário, veria que o Grêmio, mesmo com onze, continuava fraco, medroso, sem qualidade para atacar.

O zero a zero foi justo, mas serviu para mostrar o quanto é fraco esse time do Furacão. Hellmann, Viveros e Esquivel estão fazendo milagres.

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