Chegou o momento que todo torcedor evitava e não queria pensar: a despedida de Nikão no Athletico. O jogador não renovou seu contrato e dá adeus ao Furacão após sete temporadas. Foram 314 jogos, 49 gols e seis títulos em pouco mais de 2.500 dias com a camisa rubro-negra.

Com gols, passes, taças e liderança, Nikão conseguiu cravar seu nome na história do clube. Desde a chegada, em janeiro de 2015, até a despedida, em dezembro de 2021, ele construiu a caminhada da desconfiança à idolatria.

Virou xodó e protegido da torcida, viu o Athletico ser campeão internacional pela primeira vez, esteve no elenco que conquistou a inédita Copa do Brasil, foi recordista de jogos no elenco, teve o rosto estampado em faixas e bandeiras e colecionou momentos inesquecíveis.

Nikão chegou como desconhecido e sai como ícone. Levantou duas taças do Campeonato Paranaense (2016 e 2020), duas da Sul-Americana (2018 e 2021), uma da Copa do Brasil (2019) e uma da Levain Cup (2019). Decisivo, protagonista e imprevisível, foi dele o golaço de voleio, no Centenário, em Montevidéu, sobre o Red Bull Bragantino, que deu o segundo título da Sul-Americana.

O meio-campista de 29 anos carregou sua história, forjada em dificuldades e perdas, em cada passo com a camisa atleticana. Representou e personificou o que é o Athletico e respirou o Furacão nos últimos sete anos.

A história do camisa 11 foi encerrada, dentro de campo, na dolorida goleada para o Atlético-MG, por 4 a 0, no primeiro jogo da final da Copa do Brasil. O jogador saiu de campo antes do apito final, com uma lesão no tornozelo, que o tirou da finalíssima na Arena da Baixada.

Dias antes, no embarque da delegação para Belo Horizonte, Nikão foi carregado nos braços por torcedores no aeroporto Afonso Pena. Ele, que carregou o Athletico por tantos anos, teve seu último contato íntimo com a torcida.

Nikão foi carregado pelos torcedores
Nikão foi carregado pelos torcedores| Reginaldo Reginato

Foi seu último ato. Não houve tempo para se despedir melhor da torcida. No último jogo da temporada, Nikão viu a derrota por 2 a 1 -, e a perda do título para o Galo, de um camarote na Arena da Baixada. Após a partida, de camisa branca e bermuda preta, foi ao campo com os demais companheiros agradecer a torcida, de quem ouviu um último apelo por sua permanência.

Em seus quase 98 anos de história, o Athletico teve Maycon Vinícius Ferreira da Cruz por sete temporadas. Chegou a hora de se despedir. A trajetória chegou ao fim. A partir de agora, o Furacão vai caminhar sem Nikão vestindo o seu vermelho e preto. Uma era que se encerra, mas que jamais se apaga.

Nikão no Athletico

Jogos: 314
Gols: 49 gols
Assistências: 47 assistências
Chegada: 14 de janeiro de 2015
Estreia: Athletico x Foz do Iguaçu, em 26 de fevereiro de 2015
Primeiro gol: Athletico x Nacional, em 2 de maio de 2015
Último gol: Athletico 1x0 Red Bull Bragantino (final da Copa Sul-Americana)
Último jogo: Atlético-MG 4x0 Athletico (final da Copa do Brasil)
Títulos: Campeonato Paranaense 2016 e 2020; Sul-Americana 2018, Copa do Brasil 2019, Levain Cup 2019 e Sul-Americana 2021.

Todos os gols de Nikão

2015: 6 gols: Nacional-PR, Joinville (Brasileiro e Sul-Americana), Figueirense, Vasco e Ponte Preta
2016: 2 gols: Paraná e América-MG;
2017: 7 gols: Universidad Católica, Flamengo, Londrina, Santa Cruz, Vitória, Santos e Bahia;
2018: 6 gols: Newell's Old Boys (2), Chapecoense, Peñarol, América-MG e Fluminense;
2019: 6 gols: Vasco, Ceará, Grêmio (Copa do Brasil e Brasileiro), Fortaleza e Chapecoense;
2020: 9 gols: Cascavel CR (2), Londrina (2), FC Cascavel, Coritiba, Atlético-MG, Vasco e Sport;
2021: 11 gols: Maringá, Juventude, Fluminense, Bragantino, América de Cali (ida e volta), FC Cascavel, Peñarol, Flamengo (2) e Red Bull Bragantino.

Participe da conversa!
0