O goleiro Bruno Grassi, 34 anos, foi o destaque do Paraná na temporada, não somente pelas defesas, mas também por ser um líder no elenco e porta-voz nos momentos mais difíceis.

Sincero em suas entrevistas, Grassi ganhou a torcida tricolor e se envolveu de corpo e alma no clube. "Foi o ano, na minha carreira de futebol, em que eu mais estive envolvido em um clube", afirmou.

O resultado final, infelizmente, não foi o que nem ele, nem a torcida queriam: o clube acabou rebaixado à Série D.

Antes do final da temporada, o arqueiro revelou que gostaria de permanecer no clube. A nova diretoria chegou a ter uma breve conversa com Grassi, mas ainda não houve uma proposta concreta, principalmente porque o Tricolor busca recursos para manter o elenco. O objetivo da diretoria também é dar prioridade aos jovens da base.

"Teve uma conversa breve quando estava em Curitiba, mas eu queria já deixar tudo organizado. Ainda não houve a proposta, a diretoria comunicou que estava atrás de recursos para viabilizar uma proposta e eu estou aguardando o contato deles", declarou.

O contrato do arqueiro com o Paraná é válido até o fim de novembro, mas, sem jogos, os atletas já foram liberados. A expectativa da diretoria é que até o dia 10 de novembro já tenha um elenco inicialmente formado para começar uma pré-temporada.

O time deve voltar a atuar somente no fim de janeiro, com o início do Campeonato Paranaense.

Ao UmDois Esportes, Bruno Grassi comentou sobre a relação, de longe, com a torcida do Paraná, seu futuro, a nova diretoria paranista e o momento do clube.

| Albari Rosa/Foto Digital/UmDois

Veja a entrevista exclusiva com Bruno Grassi

UmDois Esportes: Você falou recentemente sobre seu desejo de permanecer no Paraná, já houve alguma conversa com a nova diretoria sobre essa renovação de contrato?

Bruno Grassi: Teve uma conversa breve quando estava em Curitiba, mas eu queria já deixar tudo organizado. Até porque eu tenho que organizar a minha vida. Eu gostaria muito que houvesse uma proposta tanto do que ficou para trás, quanto para frente. Porém, não houve a proposta, a diretoria comunicou que estava atrás de recursos para viabilizar uma proposta e eu estou aguardando o contato deles.

UmDois: Você iniciou a temporada como reserva, mas, com as ótimas atuações, assumiu a titularidade e foi o grande destaque do Paraná no ano. Como foi para você essa temporada, mesmo com o clube tendo sido rebaixado? Você também teve muito apoio dos torcedores, se puder comentar sobre essa relação, mesmo com eles longe das arquibancadas.

Bruno Grassi: Individualmente, tive atuações muito boas. Claro que eu queria muito que o time não caísse. Foi um misto de emoções em cada jogo, fazendo boas atuações, mas em alguns deles não saindo com a vitória, isso a gente fica chateado. O que eu mais queria era que o Paraná permanecesse na Série C. A torcida paranista foi espetacular. Eu, na realidade, nunca tinha visto isso, de a torcida, de uma certa forma, subsidiar o clube financeiramente, como houve. Em um momento, a gente estava sem nenhum respaldo da antiga diretoria, e a torcida se posicionou e realmente nos motivou. Eu só agradeço o carinho de todos, por mim, pelo elenco e isso foi maravilhoso.

UmDois: Como foi viver o Paraná neste momento tão difícil da história? Você foi bastante sincero nas últimas entrevistas, quais foram os principais problemas que você detectou neste momento do Paraná?

Bruno Grassi: O Paraná é grande e a história dele nunca vai ser mudada. O momento vai passar, os jogadores vão passar, a diretoria vai passar, mas tudo é o resultado das escolhas e daquilo que a gente faz. Foi muito triste o Paraná chegar nesta situação. Foi o ano, na minha carreira de futebol, em que eu mais estive envolvido no clube. Tanto dentro, quanto fora, porque tinha que saber como conversar com meus companheiros, para a gente não se precipitar em algumas decisões, poder ter um pouco de paciência, foi muito bacana que todos demonstraram muita honra em querer continuar, foi um período longo de atrasos de salários, e muitos com necessidades, todos nós temos necessidades.

Foram momentos em que nós conversávamos para nos mantermos focados, apesar dos resultados. E, para conquistar os resultados, se manter em atividade e para não ter nenhum tipo de situação de não jogar, ou algo deste tipo.

UmDois: Você também comentou sobre a mudança positiva com a chegada desta nova diretoria. Você acredita que eles podem reerguer o Paraná? Pode citar algum exemplo positivo que já foi demostrado por eles que não era visto na gestão anterior?

Bruno Grassi: Achei positiva a chegada deles. Eles quiseram tratar com transparência a situação. De certa forma, tem a possibilidade de reerguer, por essa transparência que faltou muito antes. E acho que é um caminho. E até pode parecer forte, mas é tratar pessoas como seres humanos, que têm suas famílias e precisam levar o alimento para casa. Eles não viabilizaram nenhuma proposta por estarem buscando recursos. E a gente sabe que precisam deste recursos para resolver, principalmente, o que ficou para trás, porque todos saíram sem receber nada. Mas acredito que tendo o recursos, as coisas vão andar. Até porque ainda estou à disposição deles para conversar e torce para que eles consigam reerguer o clube.

| Albari Rosa / Foto Digital /UmDois Esportes

UmDois: Caso permaneça para 2022, você como um jogador experiente, quais serão os principais pontos que o clube deve organizar para entrar forte nas competições? E a Série D será muito difícil, como você avalia esse desafio para o clube?

Bruno Grassi: A Série D é um campeonato difícil e, como eu disse até na Série C, o Paraná sempre briga para subir. E eu acredito que tendo uma boa gestão, uma organização, um time competitivo, a gente pode subir. O desafio é ter recursos, neste momento. E acredito que o Paraná tenha camisa e tenha força para conquistar esses recursos agora com uma gestão que se mostra muito correta.

UmDois: A nova diretoria quer apostar nos jovens, como você vê essa estratégia, é a solução imediata mesmo para o Paraná?

Bruno Grassi: Eu digo que eles têm essa estratégia, é uma oportunidade. Tem jovens de qualidade, mas sempre é preciso fazer um misto. Porque, como eu falei, são campeonatos competitivos e temos jovens de qualidade, mas não podemos largar toda a responsabilidade para eles. Então, tem que haver esse misto, tem que haver jogadores mais expoentes para que se possa consolidar o acesso.

UmDois: Você já está com 34 anos, qual seu sonho ainda no futebol? E você já pensa em se aposentar ou ainda pretende jogar por alguns anos? Caso você e o Paraná acertem a renovação, você pensa em, talvez, se aposentar por aqui?

Bruno Grassi: Eu me sinto bem jogando, fisicamente, não tive nenhuma lesão. Tive uma sequência no Paranaense de muitos jogos e não tive problema. Eu tenho muitos sonhos ainda no futebol. Eu gosto sempre de conquistar. Apesar de parecer uma pessoa muito calma, eu sou uma pessoa que gosta muito de vencer, que sofre na derrota. E, enquanto eu tiver isso ainda comigo, é sinal que eu tenho coisas a dar no futebol. Isso faz parte de um projeto de vida, mas depende de muitos fatores para eu ficar no Paraná.

A gente precisa resolver o que ficou e acertar um projeto. Fisicamente e tecnicamente me sinto bem e isso mostra que estou em um momento bom. E tendo um projeto, por que não? Porque não terminar a carreira no Paraná, um clube que desde já eu gosto muito. É tudo uma questão de acertar os detalhes.

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