Aos 24 anos de idade, o brasiliense Igor Thiago se tornou uma das sensações da Premier League. Mas quem vê o centroavante, hoje cotado para jogar a Copa do Mundo de 2026 pela seleção brasileira, dificilmente imagina que ele foi brutalmente rejeitado pelo Athletico ainda nas categorias de base.
E não foi apenas uma vez. O clube reprovou o jovem em duas oportunidades distintas, deixando marcas profundas no então aspirante a jogador profissional. As negativas, aliás, quase fizeram o dono de 17 gols em 22 jogos pelo Brentford na atual temporada desistir do futebol.
“Em 2018, ele chegou para nós como uma incerteza. Não conhecíamos o atleta. Ele havia feito avaliação no Athletico e não foi aprovado. O Tico, que era captador na época, levou ele para o Verê”, conta o treinador Bruno Saymon, responsável por iniciar a lapidação do futuro artilheiro.
Em Verê, cidade de cerca de sete mil habitantes no Sudoeste paranaense, o enorme potencial de Igor Thiago foi identificado. Ele chegou para as categorias de base do time homônimo, na equipe sub-17, e acabou fazendo suas primeiras partidas profissionais nas divisões inferiores do Campeonato Paranaense.
Antes disso, porém, o camisa 9 flertou com o fim precoce da carreira do mundo da bola. Em entrevista à Espn, explicou que só não deixou de perseguir o sonho de criança por causa da insistência familiar.
“Depois da minha segunda vez no Athletico, quando não passei, cheguei a pensar em desistir. Minha mãe, com a sabedoria de Deus, teve o discernimento de me dar esse empurrão. Ela chegou em casa e me perguntou o que eu estava fazendo deitado no sofá às duas horas da tarde. Ela nunca me via assim. Perguntou: ‘Filho, o que está acontecendo? Você não está treinando nem fazendo o que gosta, que é jogar bola’. Acho que foi naquele dia que tive força para não desistir”.
“Igor Thiago era um jogador cru”
Saymon conta que Igor Thiago chegou ao Verê com diversas lacunas em fundamentos básicos. Ou seja, não passar no crivo do Athletico, que é um clube muito melhor estruturado, pode até ter uma certa lógica.
“Às vezes o jogador não está em um bom dia, ou não se encaixa nas características do elenco, ou é questão de gosto do treinador. O Thiago era um atleta cru, não tinha disputado campeonatos federados. Estava iniciando. Talvez um clube como o Athletico precisasse de um jogador mais pronto. O Verê tinha tempo para trabalhar e formar”, avalia.
Mas não demorou muito para que o atacante despontasse. Ainda em 2018, o jogador se destacou na campanha do título do Paranaense sub-17, ajudando o time a vencer 22 de 24 jogos, com direito a gol na grande decisão. Depois disso, foi recrutado pelo Cruzeiro.
“Quando vimos o potencial físico dele, trabalhamos para desenvolver as qualidades técnicas. Mas ele se construiu como profissional ao longo do tempo. Sempre quis evoluir. Em 2018 começamos esse processo de lapidação. Hoje vemos domínio de bola, cabeceio e finalização com as duas pernas. Tudo isso foi trabalhado aos poucos”, aponta Saymon, que destaca o perfil calmo, educado e proativo do centroavante.
Depois da Raposa, o futebol levou o brasiliense para a Bulgária e Bélgica, onde foi campeão nacional pelo Ludogorets e Club Brugge, respectivamente. O diamante bruto começava a brilhar.
“O Thiago é muito merecedor de tudo isso pela simplicidade. A grande qualidade dele é a determinação. Está sempre disposto a aprender e evoluir. Não dá para dizer que sabíamos que isso aconteceria, mas vendemos o sonho de crescimento para todos. O que ele vive hoje é fruto daquele processo”, afirma o ex-técnico.
Seleção brasileira e o sonho da Copa do Mundo de 2026
Com o status alcançado na liga inglesa, o nome de Igor Thiago já começa a ser especulado na seleção brasileira. O atacante do Brentford sonha com uma convocação para os amistosos contra França e Croácia, em março, dois dos últimos compromissos antes da Copa do Mundo de 2026.
Se for chamado por Carlo Ancelotti, a realização também será de quem enxergou talento lá no início. “A expectativa é grande. Eu, de fora, já fico ansioso. Imagina ele. É a realização de um sonho para o Igor e para quem trabalhou com ele. Conversei com ele recentemente e disse que, mantendo essa performance, ele estará no grupo. Ainda mais por ser uma lacuna na seleção”, aposta Saymon, que também trabalhou no sub-20 da Inter de Limeira, Apucarana (London City) e Azuriz.
“Ele não sente o jogo. Costuma ir muito bem contra grandes times. Se tiver a chance com a amarelinha, estará preparado. Vai agarrar essa oportunidade com toda a força para representar bem o Brasil”, finaliza.