A Liga das Torcidas Organizadas (LTO), evento que ganhou repercussão nas redes sociais por colocar integrantes de torcidas organizadas frente a frente em lutas de boxe, detalhou como pretende funcionar. A primeira edição está marcada para o dia 30 de agosto, em Curitiba, com local mantido em sigilo por questões de segurança.
Idealizador do projeto, Paulo Ghignatti afirma que a proposta é transformar uma rivalidade historicamente associada à violência em uma competição esportiva regulamentada.
“Nosso objetivo é canalizar a paixão e o engajamento das torcidas organizadas para o esporte de combate regulamentado, promovendo ativamente a cultura da paz, a prevenção da violência e o respeito mútuo”, afirmou.
Segundo o organizador, a LTO nasceu da parceria entre o projeto Cidade da Luta (CDL) e lideranças de grandes torcidas organizadas do país. A intenção, de acordo com ele, não é acabar com os conflitos entre torcedores, mas oferecer uma alternativa dentro das regras do esporte.
“Sabemos perfeitamente do risco e da dificuldade desse desafio. Não estamos aqui para ser o ‘salvador da pátria’. Nosso objetivo é somar e construir juntos, fomentando as artes marciais e proporcionando um evento de altíssima qualidade e um tratamento 100% profissional para os torcedores e para a comunidade do esporte.”
Como a LTO pretende combater a violência
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Ghignatti afirma que diversas torcidas organizadas já mantêm centros de treinamento próprios para modalidades de luta e que a proposta é fortalecer esse trabalho.
“Hoje, as principais torcidas organizadas já possuem seus próprios Centros de Treinamento, onde mestres de artes marciais trabalham diariamente para levar disciplina, respeito e filosofia marcial aos torcedores.” O organizador acredita que levar a rivalidade para um ambiente esportivo pode reduzir episódios de violência.
“A LTO transforma a rivalidade ao migrá-la do ambiente urbano e descontrolado para a arena esportiva profissional, onde vigoram a disciplina, a arbitragem técnica e regras claras de artes marciais. As diretorias das torcidas compreendem perfeitamente que essa violência é extremamente prejudicial para as entidades, afastando parceiros e apoiadores.”
Torcidas receberão parte da receita
Outro diferencial do projeto será a divisão de parte da receita dos eventos entre as torcidas participantes. Segundo Ghignatti, o dinheiro poderá ser utilizado para fortalecer os centros de treinamento, comprar equipamentos e investir na formação dos integrantes.
“A LTO vai dividir uma porcentagem da receita do evento com as torcidas participantes, permitindo que elas invistam diretamente na melhoria de seus Centros de Treinamento, na compra de equipamentos e na formação profissional de seus associados.”
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Quem poderá participar das lutas
De acordo com a organização, apenas integrantes regularmente vinculados às torcidas parceiras poderão disputar as lutas. Os participantes deverão cumprir uma série de exigências, entre elas:
- possuir vínculo associativo com a torcida;
- treinar nos centros oficiais das organizadas;
- apresentar exames médicos e avaliações físicas;
- ser liberados para competir.
A organização afirma ainda que os confrontos seguirão regulamentos oficiais das artes marciais, com arbitragem profissional, equipe médica especializada e UTI móvel disponível durante o evento.
Evento já nasce com alcance nacional
As torcidas Os Fanáticos, do Athletico, e Fúria Independente, do Paraná Clube, foram as primeiras confirmadas pela organização. Segundo Ghignatti, outras oito grandes torcidas do futebol brasileiro serão anunciadas nos próximos dias para compor o card da primeira edição.
“O evento não está começando de forma regional pelo Paraná, mas sim como uma liga de alcance nacional já em sua primeira etapa.”