A saída do CEO Lucas de Paula, anunciada na manhã desta terça-feira (14), pegou a torcida do Coritiba de surpresa. O dirigente deixa o cargo após exatamente 365 dias no comando da SAF alviverde.

De acordo com nota oficial publicada pelo próprio Coxa, o agora ex-CEO permanecerá de alguma maneira ligado ao clube, mas somente com um cargo no Conselho de Administração. Já Lucas de Paula também publicou nota oficial relembrando o período no Alto da Glória e exaltando investimentos milionários realizados.

Apesar de ter participado do processo que recolocou o clube na Série A do Campeonato Brasileiro, após duas temporadas na Série B, com a conquista título em 2025, a gestão também foi marcada por episódios polêmicos, protestos da torcida e conflitos internos.

Elogio a Petraglia e repercussão negativa

Pouco mais de um mês após sua apresentação, Lucas de Paula já gerou desconforto com a torcida depois de elogiar publicamente Mario Celso Petraglia, presidente do Athletico, maior rival do Coxa.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que o clube realizava um evento de lançamento da exposição em comemoração aos 40 anos do título brasileiro, no Museu do Couto Pereira.

Petraglia, presidente do Furacão, e Lucas de Paula, CEO do Coxa. Foto: Montagem com Divulgação/Clubes

Em entrevista à Rádio Transamérica, o CEO destacou o perfil do dirigente rival, elogiando sua postura e exposição pública. A fala não caiu bem entre torcedores, especialmente em um momento em que o clube ainda patinava na Série B e vinha de eliminacões na Copa do Brasil e no Paranaense.

Racha no museu com a associação

Um dos episódios mais delicados da gestão aconteceu em 2025, durante evento no Museu do Estádio Couto Pereira em homenagem aos jogadores do título brasileiro de 1985, horas antes da partida entre Coritiba e Amazonas FC, pela 19ª rodada da Série B.

Lucas de Paula e Marianna Libano Coritiba
Lucas de Paula, CEO do Coritiba, e Marianna Libano, presidente da Associação. (Foto: Coritiba/Divulgação)

Na ocasião, a presidente da associação do Coritiba, Marianna Libano, afirmou que foi impedida de participar da cerimônia, o que gerou constrangimento público e evidenciou o racha entre SAF e associação. Lucas negou que houve a proibição.

A situação só foi contornada após a intervenção de dirigentes históricos. Ainda assim, o episódio escancarou o clima de tensão institucional, que se manteve ao longo da gestão, marcado por reuniões acaloradas e divergências constantes sobre o modelo de administração do clube, uma relação que nunca foi harmoniosa.

Desafio para Palmeiras e Flamengo: “Empatezinho”

Outra declaração marcante aconteceu após o título da Série B de 2025. Em tom confiante, Lucas de Paula projetou a força do Coritiba como mandante diante de adversários mais poderosos na temporada seguinte.

“A gente tem brio, vai ser muito embaçado ganhar do Coxa. E tem que ser, né? O Flamengo e o Palmeiras quando olharem na lousa deles, no planejamento, quando olharem o Coritiba no Couto Pereira: ‘Hum, f****’. Máximo um empate, um empatezinho né?’. É isso que a gente busca” disparou.


Lucas de Paula SAF Coritiba
Lucas de Paula não é mais o CEO do Coritiba. Foto: Montagem com Divulgação/Coritiba

Apesar da confiança, a fala repercutiu negativamente, sobretudo diante do desempenho irregular da equipe como mandante na Série A. Até o momento, o Coxa não conseguiu transformar o Couto Pereira em um diferencial competitivo. Pelo contrário, os melhores resultados vêm sendo obtidos fora de casa.

Em cinco jogos no Alto da Glória, o time soma uma vitória, dois empates e duas derrotas, campanha que coloca o clube entre os piores mandantes da competição. O vídeo da entrevista, inclusive, passou a ser frequentemente utilizado por torcedores rivais nas redes sociais, como forma de deboche nos momentos em que o Coritiba não consegue confirmar a força prometida dentro de casa.

Protestos e pressão

A gestão de Lucas de Paula também conviveu com momentos de pressão externa. Mesmo com o acesso conquistado, parte da torcida do Coritiba demonstrou insatisfação com decisões da diretoria, especialmente na última janela de transferências.

Faixas de protestos foram colocadas no Couto Pereira. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Com investimentos considerados moderados para parte dos torcedores, faixas de protesto foram expostas nos arredores do Couto Pereira, cobrando a saída do CEO e da Treecorp, empresa que detém 90% da SAF do clube.

Dentro de campo, os resultados ao longo do período também influenciaram esse cenário. Apesar de um desempenho consistente no Campeonato Brasileiro, a equipe foi eliminada pelo Operário nas semifinais do Campeonato Paranaense de 2026, ampliando a sequência sem finais estaduais, que já chega a quatro temporadas.

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