A empresa Eleja Online, contratada pelo Coritiba para operar as eleições virtuais do clube na próxima terça-feira (15), não pode garantir que “votos fantasmas” não serão contabilizados no pleito.

Esse é o principal argumento das chapas Coritiba Responsável e União Coxa contra a realização das eleições neste modelo. Ambas alegam que há centenas de sócios falecidos, principalmente remidos, que ainda constam na base da dados do clube como aptos a votar. Já a Coritiba Ideal apoia a iniciativa de votação remota.

Ao todo, 5.129 pessoas têm direito a voto no dia 15 de dezembro – o sufrágio foi adiado em três dias após a prefeitura de Curitiba não liberar eleições presenciais no Couto Pereira, nem mesmo em sistema de drive thru, por causa da pandemia de Covid-19.

“Discutimos isso com a Comissão Eleitoral, buscando uma solução. Mas o exemplo, o paralelo é você ter um cartão de banco e a senha de uma pessoa já falecida. Não tem como o banco saber, no momento em que você está sacando o dinheiro, que o dono do cartão é falecido já que há duas informações válidas [cartão e senha]”, explica Rafael Mentz Aquino, sócio e diretor de tecnologia da Eleja Online.

De acordo Aquino, em virtude da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), a empresa não pode fazer nenhum tipo de “tratamento” nos dados. “Ou seja, a base que o clube disponibilizar estará apta a votar. A responsabilidade não é nossa, não temos com fazer a validação”, completa.

No mês passado, a Eleja Online teve o nome envolvido em uma polêmica. Responsável pelo pleito virtual do Vasco, a plataforma foi alvo de um suposto vazamento de dados de sócios. Esses mesmos dados, entretanto, já estavam disponíveis no portal vascaíno, alega Aquino.

“Vasco contratou um sistema de recadastramento que o Coritiba não solicitou…Na verdade, não houve vazamento de dados sensíveis porque essas dados são públicos, o próprio Vasco não fez nenhum tipo de ação contra esse suposto invasor. Independente disso, a ferramenta nem está sendo usada no Coritiba”, afirma.

No caso do Alviverde, os únicos dados de associados fornecidos à empresa serão nome, CPF, e-mail e telefone celular. E, por contrato, tudo será excluído após a eleição.

“O clube vai repassar informações mínimas para gerarmos a senha que os sócios usarão para votar. Possivelmente um dia antes da eleição, todos receberão e-mail e SMS informando o endereço do portal e a senha. O voto é sigiloso, só é possível votar uma vez e não há referência de quem fez cada voto armazenado”, declara Aquino, que ressalta que a ferramenta já foi testada e auditada diversas vezes, incluindo por duas empresas diferentes na eleição do Vasco.

“Vai ser possível votar no computador ou no celular, nosso sistema é responsivo. Em cinco a dez minutos após o fim da eleição, o sistema está apto a gerar o relatório final da apuração, mas quando isso vai ser divulgado é uma decisão que cabe à comissão eleitoral”, fecha.

Participe da conversa!
0