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Opinião

Paratiba em Curitiba prova que política decide onde é permitido jogar futebol na pandemia

Jogadores de Coritiba e Paraná durante a execução do hino antes do clássico
Jogadores de Coritiba e Paraná durante a execução do hino antes do clássico| Foto: Divulgação, Coritiba
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 19/07/2020 21:04

Na volta do futebol, Paraná e Coritiba acabaram jogando na capital paranaense, não em Ponta Grossa, onde o clássico inicialmente aconteceria. A mudança de local dois dias antes da partida evidencia o quão políticas são as decisões sobre realização, ou não, de jogos em meio à pandemia.

Ora, se na quinta-feira não podia, o que se passou até a sexta, quando a autorização finalmente foi dada? Situação parecida já ocorreu em muitos estados e cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro. Há casos nos quais prefeitos e governadores parecem dizer "não" para depois responderem "sim".

Enquanto os jogos estão proibidos, o noticiário acaba sendo recheado com os nomes dos homens eleitos pelo povo. Futebol tem muita mídia, holofotes afinal. Mas de uma forma ou de outra, é preciso um olhar mais profundo na análise dessa situação que envolve jogos entre profissionais.

Times de Primeira Divisão, e até abaixo, costumam ter estrutura para seguir os protocolos de segurança, com testes, cuidados específicos, procedimentos que minimizem enormemente os riscos. Não são poucos os exemplos no Brasil e pelo mundo de que se consegue jogar sem elevada exposição.

Claro, nem todas as agremiações reúnem condições financeiras para tanto. Nesses casos, cabe às federações estaduais e à CBF entrarem em campo com algo que poderíamos chamar de assistência emergencial. Afinal, para que servem esses entidades que faturam com o futebol se não socorrerem os clubes?

Para um jornalista que pode seguir fazendo seu trabalho mesmo enfurnado em casa, seria cômodo, fácil, conveniente repetir o cansado #ficaemcasa e maldizer a bola rolando nesses tempos sombrios. Afinal, o futebol pode esperar o tempo necessário para voltar? Sim, poderia, em tese poderia.

Mas as consequências seriam terríveis, com clubes quebrados, falidos, pessoas perdendo seus empregos. Se existe uma maneira de os jogos serem disputados com boa margem de segurança, que assim seja. Sem irresponsabilidade com a saúde. E com pessoas que dependem da bola para sobreviver.

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Robson comemora o gol do Coritiba contra o Paraná.
Robson comemora o gol do Coritiba contra o Paraná.| Divulgação, Coritiba

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Em campo, cercado de cuidados, o clássico, que não seria na Vila Capanema mas foi, teve a vitória do Coritiba sobre o Paraná em retomada importante do Coxa, que vencera um clássico contra o Athletico antes da interrupção do campeonato e agora mais um na volta do futebol.  "Foi dentro do esperado, controlamos (o jogo) com a bola, mas não conseguimos ser tão agressivos", disse à coluna o técnico Eduardo Barroca.

Athletico e Londrina ficaram no empate. Goleiro Santos defendeu um pênalti
Athletico e Londrina ficaram no empate. Goleiro Santos defendeu um pênalti| Divulgação, Londrina

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Em Cornélio Procópio, o Furacão abriu o placar com Léo Cittadini e teve Santos defendendo pênalti no segundo tempo. Junior Pirambu, que havia desperdiçado a penalidade, empatou no final da partida para o Londrina. O Athletico não entrava em campo há 126 dias, agora não vence há três jogos e fez apenas três gols nos seus cinco últimos compromissos.

>> "Brasil x Argentina, 1990: contra volantes e zagueiros, a vitória da paciência e da fé em Maradona"

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