A semana foi pesada para o Palmeiras com duas derrotas que custaram caro, primeiro para o Internacional. O placar de 1 a 0 levou a definição da vaga na semifinal da Copa do Brasil para os pênaltis, com triunfo colorado, mesmo depois de a arbitragem (com VAR) anular absurdamente o segundo gol, o que classificaria direto a equipe gaúcha. Para completar, a invencibilidade de 33 jogos no campeonato brasileiro acabou em Fortaleza, com os 2 a 0 impostos pelo Ceará.

Terça-feira o time, que atuou completo no sábado, volta a atuar pela Libertadores, mais uma vez fora de casa, contra o Godoy Cruz. O time de Mendoza perdeu sete jogadores depois da última Superliga Argentina, mas apenas dois importantes, Luciano Abecasis, que foi para o Lanús, e Ángel González, agora no Estudiantes. Seis foram contratados, o zagueiro Danilo Ortiz, ex-Libertad, e Juan Brunetta, que estava no Estudiantes.

Palmeiras/Divulgação
Palmeiras/Divulgação| Cesar Greco

O Godoy Cruz está na Libertadores graças à boa campanha feita na temporada 2017/2018, quando foi vice-campeão nacional, apenas a dois pontos do Boca Juniors. No mais recente campeonato, foi apenas 14º. O técnico Lucas Bernardi assumiu em março deste ano e tenta recuperar o conjunto da equipe e fazê-la jogar mais com a bola. Neste período sem jogos (o calendário argentino é semelhante ao europeu) ensaiou um 4-3-3 bem ofensivo, mas é improvável que atue assim contra o Palmeiras. Todos os treinos recentes foram voltados para esse pela Libertadores.

Com o Palmeiras vivendo momento delicado, a partida pode se tornar mais perigosa. Após longa lua-de-mel, o torcedor palmeirense questiona o comportamento da equipe, recheada de bons jogadores, mas com baixa posse de bola, despreparada para fazer a muitas vezes necessária troca de passes e com pequeno repertório. Sempre foi assim com Luiz Felipe Scolari, que jamais extraiu do elenco o que, em tese, pode oferecer. Os resultados maquiavam deficiências que agora ficam expostas.

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A semana foi diferente para o Athletico: classificação às semifinais da Copa do Brasil ao bater o Flamengo nos pênaltis e goleada sobre o CSA, ambas fora de casa. Com desempenho sofrível fora da Arena da Baixada desde o ano passado, os resultados foram mais do que animadores, às vésperas de novo duelo com o Boca Juniors, pela Libertadores, quarta-feira, em Curitiba.

| Gazeta do Povo

O técnico Tiago Nunes utilizou apenas um titular em Maceió, Wellington, isso porque está suspenso na competição internacional. Será mais um duelo com o time argentino, que os rubro-negros derrotaram por 3 a 0 (gols de Marco Ruben) na fase de grupos. O Boca deverá contar com os reforços apresentados nesta semana: o meia Alexis Mac Allister, emprestado pelo Brighton; o promissor atacante venezuelano Jan Hurtado, que se destacava pelo Gimnasia y Esgrima; e o meia-atacante Eduardo Salvio, que estava no Benfica.

A grande expectativa é pelo acerto com Daniele De Rossi. Se o ex-ídolo da Roma chegar, talvez não atue ao lado do meia Nahitan Nandez e do centroavante Darío Benedetto, que poderão ser negociados respectivamente com Cagliari e Olympique de Marsella. O presidente xeneize, Daniel Angelici, assegura que nenhum atleta sairá do Boca antes 1° de agosto. Mas o atacante não treinou nos últimos dias. Com isso, Ramón "Wanchope" Ábila será o centroavante titular ante o Athletico. Carlos Izquierdoz, suspenso, e Lisandro López, lesionado, não jogarão quarta-feira. O técnico Gustavo Alfaro escalará a zaga com Paolo Goltz e Junior Alonso.

O Athletico é o único dos clubes da chamada elite do futebol brasileiro que ergueu novo estádio nos últimos anos e inclui a dívida dele decorrente em seu balanço. "Em termos de dívidas o que surgem são as operações de financiamento à construção da Arena. As demais dívidas são bastante modestas e controladas ao longo dos anos", detalha o relatório anual do Itaú BBA que analisa o cenário econômico dos clubes brasileiros.

Contudo, os analistas fazem um alerta sobre a situação atleticana: "O clube tem limitações de crescimento e tem contra si o ponteiro do relógio, uma vez que as dívidas do estádio começarão a vencer e o clube precisa se estruturar para isso". O relatório ressalta a necessidade de o clube "monetizar os títulos de potencial construtivo, deixar de ser regional e aumentar receitas além de suas fronteiras (…). Não há motivos para duvidar que seja possível, mas não dá para dizer que a situação é confortável. Há um certo ar de incômodo".

Sobre o Coritiba, pelo segundo ano consecutivo disputando a Série B, o relatório frisa que o clube encerrou o ano em ordem, mesmo tendo que lidar com receitas menores, após cortar custos e despesas e manter investimentos nas categorias de base. "Para 2019 há uma mudança importante nas regras de distribuição de cotas da TV e o Coritiba perderá este reforço de caixa que ajudou a atravessar 2018. Será um novo desafio para a gestão, que veremos o resultado ao final da temporada", advertem os especialistas.

O relatório elogia a gestão do Paraná Clube, com o crescimento de receitas gerado pela participação na Série A usado com parcimônia, sem ânsia em permanecer na primeira divisão nacional, a qualquer custo. "Não faz sentido um clube com receitas recorrentes baixas apostar tudo nessa permanência, pois o tudo ainda é pouco em relação aos clubes mais ricos", destaca o Itaú/BBA. O relatório destaca que os paranistas aproveitaram a oportunidade para fazer caixa e entrar 2019 com menos pressão". E finaliza: "Gestão consciente. Agora é entrar na Série B buscando o retorno.

Dívidas dos clubes brasileiros de 2018 para 2019*

Botafogo 654 para 672 + 2,8%
Atlético 542 para 634 + 16,9%
Vasco 533 para 496 - 7,0%
Athletico 446 para 478 + 7,1%
Cruzeiro 333 para 469 + 40,8%
Corinthians 405 para 452 + 11,6%
Fluminense 429 para 420 - 2,1%
Palmeiras 266 para 420 + 57,8%
Flamengo 430 para 418 - 2,8%
Grêmio 429 para 350 - 18,4%
Inter 311 para 342 + 9,9%
Santos 342 para 321 - 6,1%
São Paulo 316 para 312 - 1,2%
Coritiba 158 para 160 + 1,2%
Paraná Clube 44 para 42 - 4,5%
*em milhões de R$
Fonte: Itaú/BBA

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