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Análise

No Coritiba, Barroca mantém desafio de gostar da bola e não ser mais do mesmo

No Coritiba, Barroca mantém desafio de gostar da bola e não ser mais do mesmo
| Foto: Albari Rosa/Foto Digita/Gazeta do Povo
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 03/03/2020 16:32

Treinadores de futebol no Brasil abraçaram, nos últimos anos, o estilo chamado de reativo. A maneira de jogar que parte de uma reação, não da ação. Ou seja, o adversário tem a bola e o agride, seu objetivo, então, é recuperá-la para contra-atacar e, marcando um gol, se fechar bem, deixando a pelota com o rival.

Esse modelo pautado na rejeição à bola, como se tê-la fosse um problema (de fato para muitos é), atrasou o futebol praticado no país. Tal cenário começou a mudar em 2019 com o sucesso dos estrangeiros Jorge Jesus, no Flamengo, e Jorge Sampaoli, então pelo Santos, além do jovem Tiago Nunes, que trocou o Athletico pelo Corinthians.

Sem tanto alarde, Eduardo Barroca trilhou caminho parecido no Botafogo em 2019. Os pontos com ele conquistados foram decisivos para que o time carioca não voltasse à Segunda Divisão. Depois, comandou o Atlético Goianiense no acesso à Série A e em seguida acertou com o Coritiba.

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Na coluna de domingo, tratamos da dificuldade do Coxa em marcar no 1 a 1 de sábado, frente ao Toledo, tema da entrevista de Barroca após o empate. O técnico leu o texto e entrou em contato na Gazeta. Seus relatórios mostram que dos 19 gols marcados no ano, o Coritiba tem oito de dentro da área, sete de fora e quatro em cabeçadas.

O time finaliza 7,5 vezes para marcar e 40% desses arremates foram na direção da meta oponente. Importante: seis gols, quase um terço, foram em rebotes, um dos itens citados por Barroca como relevantes no trabalho feito para balançar mais as redes. O resumo do papo você confere abaixo.

Você leu o texto?
Li a coluna que você escreveu e acho que ela faz muito sentido para o que venho tentando buscar, soluções para os problemas que tenho encontrado como treinador neste tipo de jogo que tento fazer. Não tenho a menor dúvida que essa responsabilidade é minha como treinador, a de encontrar soluções coletivas para potencializar ainda mais as decisões individuais, mesmo em se tratando de terço final de campo, embora muitos possam pensar que “ali” o que decide é a individualidade do jogador.

O que decide “ali”?
A quantidade de jogadores na área, o rebote bem preenchido, lógica e estratégia de cruzamentos por espaço, padrões de movimentações ofensivas, ataque à última linha com mais jogadores, variação de bola parada ofensiva e outras coisas. Mas são de minha responsabilidade e tento obter um diagnóstico mais preciso para poder ser mais assertivo em minhas ações. E este tipo de discussão me estimula a buscar soluções.

Albari Rosa/Foto Digital/Gazeta do Povo
Albari Rosa/Foto Digital/Gazeta do Povo| Albari Rosa / Foto Digital

O que precisa melhorar no aproveitamento ofensivo?
Jogamos 10 jogos na temporada é só não marcamos gols em um jogo. Temos uma média de dois gols por jogo no Campeonato Paranaense. Falo da equação entre chances criadas x chances aproveitadas. Como temos tido um volume ofensivo muito grande até este momento, o foco do trabalho é encontrar soluções para aumentar essa equação.

Você se propõe a ocupar o campo do adversário, muitas vezes fechado, o que significa deixar o próprio campo desocupado. Com os espaços que os times ditos reativos, tão comuns no Brasil, precisam para atacar. É uma opção pelo caminho mais difícil?
Não tenho a menor dúvida de que atacar em espaço pequeno e defender em espaço grande é muito mais complexo. Talvez o maior desafio disso seja fazer o jogador, nos dias de hoje, acreditar que pode fazer esse tipo de jogo, que o expõe pegando mais vezes na bola, tendo que manipular o adversário e tomar decisões em tempo e espaço. Com um detalhe, sabendo que quando errar, terá que defender 52,5 metros, a metade de um campo, em transição do adversário. jogar com coragem e protagonismo na maioria das vezes acaba trazendo o jogo para esta característica. É bem desafiador.

No Brasileirão, contra equipes mais técnicas do que a sua, o Coritiba vai manter o estilo de posse da bola e ocupação do campo adversário, ou até lá precisará saber atuar também mais fechado e em velocidade? Quais as estratégias necessárias na volta à Série A?
Entendo que jogar com essa ideia não tem apenas a ver com o nível técnico do jogador. Disposição dos atletas em campo, aproximação para controlar, agressividade para atacar e para pressionar o adversário quando não se tem a bola, agressividade ao homem da bola, capacidade de se manter compacto em momentos diferentes do jogo, entre outras coisas também são importantes no contexto. Neste momento em que ainda estamos construindo uma educação coletiva de jogar, o mais importante, independentemente do adversário, é a evolução interna individual e coletiva diária e suas correções.

O que você consideraria satisfatório e que chamaria de excepcional na campanha que imagina para o Coritiba ao longo de 2020?
Neste momento estamos com foco total em crescer para a fase final do Campeonato Paranaense, conseguir entrar na eliminatória com o maior nível possível de jogo para buscar o título da competição. Sobre o Campeonato Brasileiro, entendo que deva ser jogado em ciclos e, diante deste pensamento, iniciar o primeiro ciclo da competição em busca da maior pontuação possível para colocar vantagem desde o início e depois ir traçando as metas, superando o que a competição te oferece passo a passo, com pontuação mínima para permanecer na Série A. Depois, ir buscando algo maior, como classificações para as competições internacionais.

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