A coluna trará um artigo em cinco partes sobre como a Copa do Mundo há 15 anos "escapou" da Europa Ocidental, onde estão os maiores clubes, jogadores e técnicos e o melhor futebol praticado no planeta. A maior competição entre seleções migrou neste século para países classificados como mais corruptos e serve de ferramenta no jogo geopolítico de uma pequena e rica nação. Confira a primeira parte!

"Um movimento global com uma visão: um mundo em que governos, empresas, a sociedade e as vidas diárias de pessoas estejam livres de corrupção. Com mais de 100 capítulos no mundo todo e um Secretariado internacional em Berlim, lideramos a luta contra a corrupção para fazer com que essa visão se torne realidade".

Assim se apresenta a Transparência Internacional em seu site oficial, antes de nos brindar com o relatório atualizado com o ranking mundial dos países mais (ou menos) corruptos. Ou "Índice de Percepção da Corrupção", como é oficialmente anunciado. São 180 nações enumeradas a partir dos menos afetados por esse mal.

Mas qual a relação entre esse ranking e o futebol? No próximo ano, excepcionalmente em seus dois últimos meses, acontecerá a 22ª Copa do Mundo de futebol. A competição vai se moldar ao clima do local que a receberá, o pequeno (e riquíssimo) Catar, um país encravado entre Arábia Saudita, Golfo Pérsico e Emirados Árabes Unidos.

Pela primeira vez o Mundial do maior dos esportes ocorrerá naquele pedaço (muitas vezes tenso) do planeta. Para que se tenha uma ideia, o país-sede da Copa 2022 não mantém relações diplomáticas com sete outros da região: Bahrein, Egito, Iêmen, Líbia, Ilhas Maldivas, Emirados Árabes Unidos e a vizinha Arábia Saudita, que comandou o grupo no rompimento coletivo em junho de 2017.

Isso significa que, se o imbróglio não for solucionado até lá, que é o mais provável, somente por mar ou pelo ar os milhares de atletas, demais profissionais e torcedores que participarão e acompanharão o certame poderão chegar ou sair de Doha. Sim, da capital catari, que concentrará em pequeno espaço os oito estádios da Copa – a maior distância entre eles será de aproximadamente 50 quilômetros.

Há pouco mais de um ano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que importantes dirigentes do futebol teriam sido subornados para que Rússia e Qatar sediassem a Copa do Mundo, respectivamente em 2018 e 2022. Os russos derrotaram a Inglaterra e as propostas conjuntas da Holanda com a Bélgica e da Espanha em parceria com Portugal. Já os árabes superaram os Estados Unidos.

Os americanos perderam a disputa no segundo turno de votação, com a participação de eleitores que já haviam se reduzido após dois integrantes do conselho serem filmados concordando com a venda de seus votos. A desconfiança então reinante era óbvia: de que maneira o pequeno país derrotaria a maior potência mundial? Segundo os procuradores públicos do Tio Sam houve pagamento em dinheiro a cinco integrantes do conselho da Fifa.

Eles fizeram as acusações contra três executivos de mídia e uma companhia de marketing esportivo. Os crimes apontados variavam de subornos pagos para assegurar diretos de televisão e marketing das competições, fraude e lavagem de dinheiro. O indiciamento afirmava que três cartolas da América do Sul embolsaram polpudas quantias para votar no Catar, contra os Estados Unidos, em consequência.

Na segunda parte, quinta-feira, 22 de abril: Os cartolas sul-americanos e as gordas quantias pelo voto no Catar como sede da Copa

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