O Santos não foi impetuoso, agressivo, ofensivo desde o começo, como nas vitórias sobre Grêmio e Boca Juniors. Cuca optou por Sandry, deixando Lucas Braga na reserva, o que, de cara, sinalizava um time mais cauteloso para a decisão da Libertadores.

Já o Palmeiras era o de sempre, pouca posse de bola, muita ligação direta, cruzamentos e arremessos laterais na área adversária. Se pensarmos em um paralelo entre Abel Ferreira e outros portugueses, ele está mais para José Mourinho do que Jorge Jesus.

Claro que os poucos meses no Brasil com raros períodos livres para treinos dificultariam tentativas de algo mais sofisticado na engrenagem da equipe. Mas ele já demonstrou claramente que tem um estilo preferido, que se assemelha ao trabalho anterior, no PAOK, da Grécia.

Assim, tivemos uma final de Libertadores tecnicamente sofrível. O Palmeiras saiu de campo campeão sem um chute na direção da meta rival, vencendo com a cabeçada de Breno Lopes, único arremate certo do time em todo o cotejo. O Santos somou dois, sem assustar.

Durante o certame e ao longo da temporada, os dois times mostraram que podem fazer mais do que levaram ao Maracanã. Identificar o mau futebol apresentado é obrigação da imprensa esportiva e não significa desmerecimento ao campeão. Apenas uma constatação obrigatória.

Alguns jornalistas se apoiam em velhas muletas como "o que importa é o título". Tal frase cabe bem na boca de um torcedor campeão, e revela acomodação, falta de espírito crítico de ala significativa da mídia, que evita abordar o pobreza técnica como os "professores" evitaram o jogo.

Depois dos milhares de presentes ao jogo na pandemia, ficou difícil repetir "fica em casa". Mas é possível parabenizar o campeão, dizer ao torcedor palmeirense que "comemore", sem ignorar que o jogo foi horrível, que faltou coragem, desejo mínimo pelo ataque, pelo gol.

Domingo, Atlético Goianiense 2 x 1 São Paulo passou longe de ser um grande jogo de futebol. Assim como o 0 a 0 entre Vasco e Bahia, disputados sob forte calor. Mas pelo menos tiveram finalizações, gols, as equipes tentaram vencer.

Não, esses não são, digamos, modelo de partidas a serem seguidos, longe disso. Mas o fim de semana mostrou que pode ser pior. Nessa temporada, pretextos não faltam, da COVID-19 ao calor. Mas é preciso questionar.

Nesse cenário, é compreensível que nenhum time se aproxime da excelência, mas não há como tolerar passivamente tantos jogos fracos em função da falta de capacidade de treinadores, somada à esquálida ambição ofensiva.

São muitos cotejos ruins, independentemente da temperatura, da estação do ano, do formato de disputa de cada certame, da qualidade técnica dos elencos. Por que a reação técnica de 2019 ficou para trás e já se reverencia o futebol paupérrimo daqui.

Em meio a vários que jogam algo tosco, o jogo tosco será campeão. E quando há conformismo até em finais mal jogadas, com times medrosos e seus chutões, consequentemente peladas tão comuns no futebol praticado no país serão toleradas.

O conformismo diante do mau futebol é nosso eterno 7 a 1 e as digitais de boa parte da imprensa esportiva estão lá.

Coxa se recupera, mas não deverá ser o bastante

Quatro empates e uma vitória. A sequência do Coritiba é interessante, pelo nível de todos os adversários para os quais não perdeu, Athletico, São Paulo, Fluminense e neste domingo o Grêmio (1 a 1), todos times que lutam por vagas na Libertadores. No confronto direto com rival na luta contra o rebaixamento, venceu o Vasco, fora de casa.

Seria ótimo se o Coxa tivesse somado mais pontos antes. A distância para a saída da zona de rebaixamento ainda é grande e o tempo curto, com apenas cinco jogos a disputar. O técnico Gustavo Morínigo assumiu depois do 0 a 0 com o Furacão, portanto está invicto. A boa fase segue sinalizando o início de trabalho para a próxima temporada.

Gustavo Morínigo está em início de trabalho no Coritiba. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/UmDois Esportes.
Gustavo Morínigo está em início de trabalho no Coritiba. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/UmDois Esportes.

O Furacão segue escalando a tabela

Cinco vitórias, dois empates e uma derrota. Esse é o retrospecto do Athletico depois de vencer o Ceará, fora de casa, por 2 a 0. Quase 71% de aproveitamento no período. O time que era 14º apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento saiu de campo instalado no oito posto, com chances até de sonhar com vaga na Libertadores.

Contra o time cearense, o Furacão teve mais posse de bola e finalizou mais, conseguindo se impor diante de um adversário que não tem ido bem como mandante, perdeu em Fortaleza para Atlético Goianiense, Internacional e Red Bull Bragantino, mas vinha de vitória sobre o misto do Palmeiras. O próximo adversário do Athletico será o líder da Série A.

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