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Coronavírus

Clubes tentam reduzir salários, mas jogador de futebol ganha pouco

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Mauro Cezar Pereira
27/03/2020 00:05 - Atualizado: 29/09/2023 16:49
Jogadores do Vasco, que estão com salários atrasados, fizeram protesto por causa de jogos durante pandemia
Jogadores do Vasco, que estão com salários atrasados, fizeram protesto por causa de jogos durante pandemia | Foto: ESTADÃO CONTEÚDO

Em 2014, o Bom Senso Futebol Clube, movimento de jogadores e ex-jogadores que defendia o direito dos atletas de futebol e um melhor calendário, apresentou estudo com alguns números que derrubam por completo a ilusão de quem imagina todos craques e ricos. Nada menos que 85% dos futebolistas brasileiros recebiam com atraso, de acordo com o levantamento da época.

>>Tempo real: acompanhe as consequências do coronavírus no esporte

E mais: todo esse pessoal ganhava menos de três salários mínimos e milhares ficavam desempregados durante perto de seis meses a cada ano, com a desativação dos elencos profissionais de muitos clubes pelo país, ao final dos campeonatos estaduais. Pelos números da época, apenas 15% dos 684 clubes brasileiros seguiam ativos, jogando e mantendo os empregos o ano inteiro.

Dois anos depois, dados da CBF mostraram mais de 80% dos jogadores ganhando até R$ 1 mil mensais e 96,08% não passando de R$ 5 mil. Entre tal cifra e R$ 10 mil, 1,35%; daí aos R$ 50 mil 1,77%; desse número a R$ 100 mil, 0,40%; daí aos R$ 200 mil, 0,28% e desse valor aos R$ 500 mil mensais, 0,12%. Acima de meio milhão de reais, percentual tão diminuto que se aproximava de zero!

São números assustadores, já que nenhuma mudança estrutural foi feita no futebol do país desde então. Em meio à pandemia, surgem sugestões de redução salarial partindo de clubes, mas raríssimos atletas ganham R$ 1 milhão por mês e teriam que "se virar" com R$ 500 mil a cada 30 dias. Na contramão disso, muitos ficariam com pouco mais de um salário mínimo, ou menos, em caso de cortados os vencimentos pelo meio.

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Há uma evidente tentativa, de alguns clubes, do aproveitamento da pandemia de coronavírus para pagar menos até a quem sequer recebe salários regularmente. O advogado João Henrique Chiminazzo, especializado na área esportiva e que trabalhou para o Bom Senso FC, é direto:

"A maioria dos atletas ganha pouco e alguns nem recebem. Como propor redução nesse cenário?", indaga.

Se no Red Bull Bragantino, time de primeira divisão nacional, a proposta de redução da remuneração não apavora, no elenco do Vasco, também de Série A, ela causa calafrios. Afinal, o clube deve parte do 13º e os salários mensais não saem a casa 30 dias, pelo contrário, os intervalos são bem maiores. E não se sabe qual o real impacto da pandemia nas finanças dos clubes que muitos já asseguraram a principal receita, a da TV.

>> Coronavírus e calendário: uma proposta para o futebol enfrentar a crise

"Férias de 30 dias com avaliações periódicas do cenário seriam razoáveis", diz o advogado.

"Importante é que há jogadores que fazem parte do grupo dos mais bem remunerados que estão engajados, preocupados com os dos times pequenos, os que ganham pouco", acrescenta Chiminazzo.

Fato: jogador de futebol com salário milionário não é regra, mas exceção.

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