Aos poucos o futebol vai voltando, mesmo com o Brasil mantendo o ritmo e produzindo mortes em larga escala devido à Covid-19. Mas qual a alternativa? Depois de meses desperdiçados sem que uma verdadeira quarentena com medidas realmente necessárias fossem tomadas, o pouco fôlego dos clubes já se foi e muitos precisam de respiração artificial.

Por essas e outras o Coritiba busca saída no ato trabalhista, o Athletico reivindica a volta do Campeonato Paranaense e o Paraná corre atrás de investidores. Em São Paulo os times agradecem o fato de terem desatado o nó com o governo estadual para que possam voltar a jogar ainda em julho. Sem entrar em campo as receitas minguam ainda mais, afinal.

Por essas e outras a decisão da CBF de estabelecer um calendário, embora tardia, é correta, necessária. Até quando os clubes poderiam ficar à espera de um cenário mais adequado? Obviamente não é uma situação simples, mas times com o mínimo de estrutura têm condições de testar seus profissionais e isolá-los, se necessário. Criar uma bolha segura.

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Da mesma forma que setores diversos da economia, o futebol emprega muita gente. No primeiro momento o segmento fez o necessário, interrompendo treinos e partidas. Mas o país jamais conseguiu o mínimo de harmonia nas decisões tomadas para conter o novo coronavírus. O governo federal remava para um lado com força, governos estaduais para outros. Uma bagunça.

Os equívocos cometidos por políticos, uns mais, como o presidente da República, outros menos, na forma como deveriam enfrentar a pandemia, praticamente queimou o gás existente. Quando a bola parou em março, as estimativas eram de que a maioria dos clubes de futebol, com dificuldades, poderia suportar três meses sem atividade. Esse prazo já foi embora.

Evidentemente a saúde dos atletas e demais profissionais deve ser prioridade, por isso cabe a cada agremiação criar zonas seguras em seus Centros de Treinamento e estádios, com rigorosos protocolos de segurança e muitos testes. Jogando, pelo menos é possível faturar com o recebimento do dinheiro da venda dos direitos de transmissão e os patrocinadores têm retorno.

Atuar em meio a Natal e ano novo não é problema. Já tivemos inúmeros momentos nos quais se jogou nesse período do ano no Brasil. Decisões aconteceram entre as duas datas comemorativas como a final do Brasileiro de 1998 e da Copa Mercosul 2000. E no passado eram comuns as temporadas invadindo o ano seguinte. Não é o ideal, mas esse é um ano atípico, não há saída.

Exceto se quisermos que os clubes fiquem um ano inteiro parados, em processo de falência. Como quase 800 mil empresas nesse período de luta contra a Covid-19. Treinar, jogar, ter todos os cuidados necessários com a criação de ambientes realmente seguros. Jogadores e quem os cerca sendo responsáveis, evitando saídas quando não estiverem a serviço. Pela sobrevivência de clubes e preservação de seus empregos.

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