A seleção brasileira goleou a do Peru quinta-feira (17) pela Copa América no péssimo gramado do Estádio Nilton Santos, o Engenhão, no Rio de Janeiro. Três dias antes, jogando em casa, a Espanha empatou sem gols com a Suécia na Eurocopa e dois dias depois, pelo mesmo certame, a França visitou a Hungria e ficou no 1 a 1. Qual a diferença entre esses jogos envolvendo três campeãs mundiais?

O Brasil fez 1 a 0 aos 12 minutos, bem cedo. E recuou. Tanto que no primeiro tempo teve menos posse de bola, 45%, pois optou por deixá-la com os peruanos, que trocavam passes, pouco criavam e cediam espaços que o time de Tite não conseguia explorar. Na etapa final, muito superiores, os brasileiros elevaram a posse, se organizaram melhor e aproveitaram a facilidade oferecida. Final, 4 a 0.

O desafio apresentado pelos adversários sul-americanos, como em quase todos os confrontos na Copa América, era pequeno, tal a diferença de qualidade entre a equipe da CBF e seus oponentes. Adversários frágeis individual e coletivamente, que em alguns casos, como o do Peru, tentam jogar igualando no controle da bola, bela intenção, mas que em geral torna a vida dos cebeefianos mais fácil.

Na Eurocopa é bem diferente. Um rival como a Suécia é capaz de se impor fisicamente. Reconhece ser inferior à Espanha, então se fecha de forma organizada, usa do forte jogo aéreo defensivo e ofensivo. Ao ponto de ter míseros 14,9% de posse de bola, conceder apenas cinco arremates certos aos espanhóis e de criar (e perder) a melhor oportunidade do jogo, com Berg, após jogada do ótimo Isak.

Neste sábado (19), os húngaros ocuparam o campo de defesa e em alguns momentos parecia que uma placa no centro do campo os proibia de atravessar a metade do gramado em Budapeste. Enquanto isso, os franceses ficavam com a bola, criavam e perdiam chances, mesmo com Mbappé facilitando o jogo e encontrando caminhos, apesar do grande congestionamento criado pelos donos da casa.

Em raríssimo ataque na primeira etapa, nos acréscimos a Hungria teve sua chance, como os suecos tiveram a deles, e a aproveitou: 1 a 0. A França empatou no segundo tempo e teve que se contentar com o 1 a 1 sob forte calor, mesmo sendo amplamente superior e sabendo que poderia sair de campo com uma vitória após finalizar 15 vezes, pelas estatísticas do Onefootball. O que parecia fácil não era.

Brasil não tem um desafio a nível de Eurocopa

Essa e uma das diferenças entre os torneios de seleções em andamento. Enquanto na Copa América o Brasil passeia, afinal, é mais capacitado tecnicamente e bem organizado do que os fracos adversários, na Europa os times mais fracos criam dificuldades. Como as que a Inglaterra encarou diante da Escócia e a Espanha contra a Polônia. E há, ainda, os grandes duelos, como Portugal x Alemanha.

A competição sul-americana pode ser uma fábrica de ilusões para quem estiver disposto a se enganar. Os mais fortes times europeus que estarão no Catar em 2022 para a disputa da Copa do Mundo são realmente testados, desafiados, com frequência. Enquanto isso, a seleção brasileira supera times fracos tecnicamente, em má fase e vê se criar uma imagem de equipe poderosa que pode ser falsa, ilusória.

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