“Não sei quantas equipes fizeram isso: jogam, recuperam e no terceiro dia jogam outra vez. Não existe em lugar nenhum, só no Brasil. Quem marca os jogos tem que ter coragem. É um assunto muito sério, mas ninguém no futebol brasileiro quer saber”.

Difícil ir contra o desabafo de Abel Ferreira após a derrota do seu time, o Palmeiras, campeão da Libertadores, para o Coritiba, rebaixado à Série B, por 1 a 0 na noite de quarta-feira, no Couto Pereira.

Pois, sabemos bem, o calendário do futebol brasileiro é, indiscutivelmente, bizarro. Mas cá entre nós, o português certamente sabia disso quando, em outubro, aceitou a proposta palmeirense e deixou o PAOK, após o empate sem gols com o Granada, pela Europa League.

Desde que Abel foi embora, o time grego fez 25 partidas. A derrota para o Coxa marcou seu 31° compromisso à frente do campeão paulista em três meses e meio de clube. A diferença é evidente, mas nada surpreendente para Abel Ferreira, afinal, não é uma novidade que os clubes brasileiros jogam mais vezes do que os europeus.

Se o treinador português tivesse chutado o balde depois de uma vitória, seria mais razoável. Reclamar do calendário depois de perder para um time antecipadamente rebaixado não parece a melhor escolha. Soa conveniente.

Sim, ele poupou jogadores pensando no clássico de sexta-feira, diante do São Paulo. Mas isso não apaga o fato de que seu time, com elenco muito mais farto, saiu de campo batido por uma equipe inferior, rebaixada e que já vive o clima da reconstrução para uma nova temporada.

Abel reclamou da maratona de jogos após uma derrota para o 19º colocado do Brasileirão. E poucos dias depois de ser muito criticado pelo fraco futebol apresentado no Mundial de Clubes. Nesse cenário, o português parecia bem adaptado ao futebol do país e alguns de seus conhecidos treinadores, que escolhem temas para desviar o assunto do campo de jogo, onde a equipe foi mal, para outra área.

Vitória do Coritiba: Botafogo lanterna e vingança de Morínigo

Paraguaio Gustavo Morínigo comemora gol com jogadores do Coritiba
Paraguaio Gustavo Morínigo comemora gol com jogadores do Coritiba

A vitória sobre o Palmeiras foi a segunda do Coritiba sob o comando de Gustavo Morínigo. O time se livrou matematicamente da possibilidade de terminar o campeonato na última posição. A lanterna do Campeonato Brasileiro de 2020 já é do Botafogo.

O treinador paraguaio, por sinal, viveu uma noite de pequena vingança. Em dezembro, à frente do Libertad, empatou por 1 a 1 em Assunção e perdeu por 3 a 0 no Allianz Parque, sendo eliminado da Copa Libertadores nas quartas de final. Morínigo foi demitido em seguida e no mês de janeiro chegava ao Coritiba.

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