Primeiro, foi um absurdo e um desrespeito ao torcedor que paga ingresso e frequenta os estádios, a CBF ter confirmado o maior clássico do futebol paranaense para uma sexta feira às nove horas da noite; segundo, foi um absurdo o árbitro não ter adiado o jogo pelas péssimas condições do gramado por causa dos temporais intermitentes que tem castigado o estado do Paraná há três dias.

Mas a bola rolou e os jogadores demonstraram muita dignidade jogando com vontade e marcando seis gols para delírio do público.

Nem bem começou a partida e o Athletico foi para o ataque com o zagueiro Jacy salvando o gol debaixo da trave. Água para todo lado, campo pesado, muitas faltas, inúmeras interrupções tanto que se registrou um tempo extra significativo tanto no primeiro quanto no segundo período, o popular acréscimo.

Aproveitando cruzamento o experiente Luiz Gustavo abriu a contagem cabeceando a bola sem chance para o goleiro Pedro Morisco, justamente convocado para a seleção brasileira.

Em lance improvável, na cobrança de escanteio pela direita, a bola caiu nos pés do zagueiro Arthur Dias, convocado merecidamente para a seleção brasileira, no interior da grande área e sem marcação individual: 2 a 0.

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Jacy e Luiz Gustavo, os capitães do Atletiba histórico no Couto Pereira. Foto: Jow Baker/Fotoarena/Sipa USA/IconSport

Para aumentar a tensão coxa-branca o atacante Breno Lopes foi expulso de campo, mas Josué cobrou uma falta acertando o travessão do goleiro Mycael e Tiago Coser completou diminuindo o placar.

Na etapa complementar pênalti a favor do Furacão e o artilheiro do Campeonato Brasileiro, Viveros, cobrou com categoria ampliando para 3 a 1. Mas tinha mais, muito mais na tenebrosa e inesquecível noite de sexta feira.

Aos 46 minutos, em falha da zaga atleticana que não interceptou a bola pelo alto após corner batido por Josué, o zagueiro Rodrigo Moledo marcou de cabeça e, aos 51 minutos, a repetição com os mesmos atores: Josué levantando, Moledo cabeceando e a defesa atleticana apenas observando.

Foi um empate heroico do Coritiba em um dos clássicos Atletiba mais intensos da historia.

Mas ficaram algumas interrogações para os técnicos Fernando Seabra e Odair Hellmann. Para o treinador do Coritiba, por que tanto sofrimento quando o seu time joga como mandante? Para o treinador do Athletico, como é que o seu time conseguiu levar nove gols nas últimas três partidas?

Carneiro Neto – leia o perfil completo

Antônio Carlos Carneiro Neto é um dos nomes mais importantes da imprensa esportiva do Paraná. Nascido em Wenceslau Braz em 7 de julho de 1948 e criado em Guarapuava, começou como repórter de rádio e jornal em Ponta Grossa, em 1964, e chegou a Curitiba no ano seguinte para estudar — formando-se, tempos depois, em Direito.

Ao longo de décadas, passou por todas as emissoras de rádio e televisão da capital como repórter, narrador e comentarista, além de assinar colunas diárias na Gazeta do Povo. Foi também o criador dos prefixos da Banda B e da CBN, no fim dos anos 1990.

Escritor de oito livros, emplacou best-sellers como “Atletiba — A Paixão das Multidões” (1994) e “É Disso Que o Povo Gosta” (2019). Em 2016, foi eleito para a Academia Paranaense de Letras, tornando-se imortal.

Atleticano assumido, participou da história do clube nos mais diversos momentos. Hoje, segue em atividade no podcast Carneiro & Mafuz, sucesso de audiência – provando que, como ele mesmo diria, é um privilégio ser contemporâneo de Carneiro Neto. Clique aqui para ler todas as colunas de Carneiro Neto.

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