Em Montevidéu, Peñarol 1x2 Athletico, pela Sul Americana.

Sem exagero, o Furacão voltou a ser o Furacão.

O nome do estádio onde ganhou já encampa toda a grandeza da sua vitória: “Campeón del Siglo”. A grandeza poderia ser resumida pela vitória em si, como é toda a vitória contra o Peñarol, em Montevidéu. Mas seria muito pouco encerrá-la assim, sem associá-la à excepcional conduta do time rubro-negro.

Irrepreensível é pouco. Perfeita é justa. 

Nem bem o jogo começou, e lá foi o Furacão para amassar os uruguaios. Aos 2’, Terans, como se tivesse olhos nas costas, “viu” o goleiro Kevin Dawson adiantado e, com uma “meia bicicleta”, marcou o primeiro gol. E como esse gol estava no seu roteiro, o Athletico continuou dominando. O gol de empate do Peñarol por Martínez, aos 21’, não alterou a ordem do jogo. O recuo do Furacão foi absolutamente proposital.

E, assim, foi a etapa final.

Comandado pelo menino Erick, já com Pedro Rocha no meio, o Athletico manteve-se colosso. A pressão do Peñarol era consequência das intenções do time brasileiro, que passou a jogar pela bola da vitória. E ela veio da forma previsível: aos 30’, Nikão cobrou uma falta do lado direito, e Pedro Rocha finalizou a bola de rebote da entrada da área.

No último minuto, o Peñarol exigiu uma bela defesa de Santos.  Nada que passasse de uma última emoção.

O futebol e as suas contradições.  

Uma derrota, um 0x1 qualquer na Baixada, e o Athletico voltará a Montevidéu para jogar a final da Sul-Americana. E lá poderá ganhar o bicampeonato.

Só há um elemento que pode impedi-lo: o negacionismo do seu CEO e presidente Mário Celso Petraglia.

Contra a ciência que autorizou uma lei municipal, uma lei estadual e a lei esportiva (Conmebol e CBF), Petraglia nega o direito de cinco mil sócios torcedores de irem à Baixada para torcerem pelo Furacão.   

Desconfortável em ser apenas CEO e presidente, Petraglia assume a condição de cientista do Athletico ao condicionar a volta da torcida à Baixada “ao controle da pandemia”.

Além de negacionista, como cartola com poder absoluto no Athletico, Petraglia tem uma conduta desonesta. Negando a ciência, subtrai o direito dos sócios que honestos e leais por amor ao Athletico, sacrificaram-se na pandemia pagando a mensalidade. Eu teimo em acreditar que o sucesso do Furacão incomoda o seu presidente.

Resta saber se Petraglia não irá proibir a maior torcida do Paraná ir ver seu clube de coração em Montevidéu.

Erick foi o melhor em campo.

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