“João amava Tereza que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”. A escolha do novo treinador do Athletico por seu diretor técnico, Paulo Autuori, lembra um pouco o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade. Só que ao invés de tratar do amor, trata da amizade.

António Oliveira, que é filho de António José Conceição Oliveira, o Toni, que é ídolo eterno em Portugal, pelo Benfica e pela seleção portuguesa, que é jornalista, que é amigo do peito de Paulo Autuori, será o novo treinador do Athletico.

Seu imediato, como dizem em Portugal, será Bruno Lazaroni, que é filho do treinador Sebastião Lazaroni, que foi técnico do Botafogo e da seleção brasileira, cujo o idioma é o “lazaronês”, que é amigo de longo tempo de Paulo Autuori.

Do Athletico posso não saber o que ocorre no CT do Caju, mas eu sei o que se passa pela cabeça do presidente Mario Celso Petraglia. Bem por isso, na edição de 4/3/2021 escrevi: “Autuori irá escolher o técnico do Athletico. Mas ele é quem vai mandar”.

Não se pode analisar a solução dada pelo Athletico sem associá-la aos efeitos da pandemia que correm, também, no futebol. A decisão foi tomada a partir de um momento de racionalidade de Petraglia: se tem Autuori no comando técnico, não há razão para pagar salário milionário para um treinador dirigir um time que ainda será renovado e formado.

Concordo que Autuori recorreu ao filho de um amigo português para implementar a proposta racional de Petraglia para o cargo. Mas, quem esse jovem António Oliveira?

Ele é filho de Toni, que é ídolo em Portugal, pelo que jogou e treinou o Benfica, e jogou pela seleção portuguesa. Como treinador conquistou oito campeonatos e quatro taças de Portugal.

A marca do Benfica de Toní foi o time campeão de 88/89 que tinha os brasileiros Ricardo Gomes e Mozer na zaga, e o meio com Elzo, Valdo e Ademir Alcântara, e Lima no ataque.  Se perguntar para Toni quem foi um dos melhores meias que comandou, a resposta está na ponta da língua: o paranaense Ademir Alcântara, ex-Coxa.

Coincidência e opção de Autuori no Athletico

O que eu quero dizer é que o fato de António Oliveira ser filho de um amigo de Autuori é bem mais do que uma coincidência, mas uma opção absolutamente correta dentro das circunstâncias .

Primeiro, porque o treinador tem berço e formação da melhor escola portuguesa; e, segundo, porque, às vezes, uma relação pessoal permite a adoção de medidas que são melhor compreendidas pelos jovens profissionais.

Se há risco de erro, não será maior do que o risco que seria com qualquer outro treinador nessa época de incerteza que exige racionalidade dos clubes que querem viver sem traumas financeiros.

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