Não há atleticano que tenha ido a Baixada nos últimos jogos e que não tenha gritado: “Fora, Valentim!”.  Na frente do colégio, esperando meu neto, um grupo de crianças canta: "Athletico, fora Valentim”. O frentista me vê estacionando e, por ser coxa, com uma boa dose de ironia, grita: “Fica, Valentim”. Chego para entregar o meu neto, e vem a cachorrinha, à porta. Com os olhos tristes, parece me implorar: “Fora, Valentim”.

No entanto, intransigente por ser insensível, e ser insensível por ser incapaz no trato com o futebol, o presidente Mario Celso Petraglia, mantém Alberto Valentim. Agora já não é mais por convicção baseada em critério que mede a responsabilidade do treinador.

Agora, é para impor o seu poder de senhorio como se a Baixada fosse uma nova versão de Casa-Grande e Senzala (perdão, Gilberto Freyre) e os torcedores fossem escravos. Como foi o ato de cobrar R$ 30 para o sócio ver o treino com o América-MG, ele sócio que foi fiel ao clube na crise pandêmica. E, em seguida, trata a torcida do Athletico como “egoísta e ingrata”.

No vídeo que circula pelas redes, uma triste imagem: um senhor de 78 anos, ainda sob os efeitos de uma enfermidade, vai até o limite do camarote para discutir com a torcida que gritava “Fora, Valentim”. E a torcida ri para enfrentá-lo. Pelo tom, risos de desprezo. Ali há uma falta de respeito à Mario Celso Petraglia. Não pela torcida, mas por ele próprio. Ao se expor e desafiar o torcedor, pratica uma autoagressão, humilha-se.

Mario Celso Petraglia pode até manter Alberto Valentim.

O que não pode é provocar a seu favor o sentimento de pena.

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