Já sabendo que Mário Celso Petraglia havia exigido a sua demissão à Paulo Autuori, o técnico António Oliveira facilitando as coisas para o tutor, pediu para sair. Nenhuma surpresa no fato. Surpresa seria se António sobrevivesse ao fracasso e a vergonha de Cascavel.

Só que o incidente não pode ser encerrado com a demissão do treinador. Ao contrário, tem que ser usado para debater uma questão mais importante: até onde pode ir a liberdade de um profissional, mesmo sendo com a autoridade de Paulo Autuori para tomar decisões de riscos, como dar a um jovem inexperiente, o comando técnico de um clube da grandeza do Athletico?

Este incidente não pode debitado na conta de Mário Celso Petraglia. Por estar convencido de que o futebol como esporte não é para amadores, o presidente do Furacão contratou o que havia de melhor para comandar o Caju: Paulo Autuori. Com um histórico de treinador exuberante, as suas ideias de jogo e, as suas propostas de gerencia integrada, conciliam-se com as do Athletico.

O que fez Autuori?

Exercendo em toda a sua extensão o poder de mando, trouxe António Oliveira, que era um simples assessor técnico no Santos e, Bruno Lazaroni, que havia sido demitido por incapacidade, do Botafogo. Interpretando esses atos, não há como afastá-los de uma conclusão: Autuori abusou da confiança de Petraglia.

Ao invés de diminuir o risco de erro, preferiu apostar em profissionais remotos por inexperiência (Oliveira) ou incapacidade (Lazaroni). Isso no futebol onerado e caro como o de hoje, chama-se aposta de alto risco. E, em qualquer aposta no futebol, quando não existe o mínimo de solidez, o fracasso é a opção mais provável.

Se fosse Mário Celso Petraglia o responsável, seria coisa de amador que não conhece futebol, e que já confessou que não gosta de futebol. Mas, foi Paulo Autuori, uma das mentes mais brilhantes que existe no futebol brasileiro.

O que fazer agora?

Se um dos maiores profissionais do Brasil falhou por excessos, volte-se ao velho amadorismo. A contratação do novo treinador, se Paulo Autuori não assumir, deve ser de responsabilidade única de Mário Celso Petraglia.

Há uma lógica nessa afirmação: se não teve culpa na contratação de Oliveira e Lazaroni por ter confiança em Autuori, a terá se permitir que o diretor escolha o novo treinador por conta própria, e de acordo com a sua conveniência.

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