Foi o desespero para corrigir os seus próprios erros que levou Mario Celso Petraglia a contratar Luiz Felipe Scolari.

O futebol é feito de contradições e seus operadores de contrastes. Bem por isso, não se pode oferecer um juízo de valor sobre Felipão como novo treinador do Athletico.

Não há na história um técnico com uma carreira tão cheia de contrates: Felipão carrega a marca de ser o último técnico campeão mundial pelo Brasil (Japão, 2002), mas também representa o simbolismo da decadência do futebol brasileiro, criado nos 7 a 1 para Alemanha (Mineirão, 2014).

Qual é o Felipão que chega para o Athletico?

Entendo que essa não é a questão de núcleo.

É um treinador que envelheceu com o conservadorismo do futebol de resultado. Não é um elemento de censura. Em Madrid, nesta quarta-feira (4), o Real Madrid, comandado por Carlos Lancelotti, envelhecido e intransigente conservador, eliminou o Manchester City de Guardiola, técnico que é tratado como à frente do próprio tempo.

Entendi Petraglia. Compreendi as suas intenções que a dor de consciência lhe inspirou. Como treinador, Felipão será apenas um apêndice do Felipão contratado para recuperar o respeito que se perdeu pelo Athletico no CT do Caju.

Desde que Autuori foi embora, o Caju foi transformado na casa de Provença, que se consagrou como “casa da mãe Joana”. Lá todos se achando capazes praticam atos inconsequentes. Inclusive, o próprio Petraglia que não sabe nada sobre relações humanas e sobre futebol.

Para quem em quatro meses especulou irresponsavelmente com Alberto Valentim e Fábio Carille, Luiz Felipe Scolari é um alento. Se não for a solução, não será o problema.

Com Felipão, Petraglia esvazia o seu discurso enganador que prega tudo que é de mais moderno.   Com Felipão, não tem o amanhã. O projeto é o próximo jogo. O futuro é hoje. A essa altura, é exatamente disso que o Furacão precisa.

Os atos no desespero, às vezes, levam à solução.

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