Esperava-se tudo. Uma vitória do Athletico estaria, também, na conta da lógica. O que não se esperava era o Furacão vencer (1x0) com um gol de Zé Ivaldo, que parece ser condenado com prisão perpétua. E não foi um desses gols alienados ao acaso. Foi um gol que merecia uma Baixada lotada não para vibrar, mas para ser o juiz de absolvição do zagueiro.

Como toda a beleza que surpreende pela forma e pelo momento é indescritível, foi mais ou menos, assim: aos 33’ da etapa final, Terans cobrou um escanteio, forçando uma rebatida da zaga. A bola foi ter com Zé Ivaldo que, dentro da área, fez um giro de corpo, levando a perna esquerda a chutar no ângulo de João Paulo. A bola parece ter sido ajeitada por um toque divino, porque Zé Ivaldo estava à procura do perdão.

No futebol, às vezes, é no óbvio que está a verdade. Um jogo brilhante não é, necessariamente, um jogo bonito. O brilhantismo, em algumas situações, está mais na ordem, na superação, no interesse pela vitória.

O Athletico, jogando sob a pressão que exerce uma rotina de derrotas, fez o certo. Trocando o “modernismo” que o está afundando pela ordem conservadora de dar prioridade à defesa e a marcação, foi brilhante.

Compondo o sistema com o lateral Marcinho atrás, Thiago Heleno, Pedro Henrique e Zé Ivaldo no centro, e Richard imediatamente à frente, construiu um forte, para não sofrer gol. E, sem nenhum constrangimento, parou Marinho, que era a única opção para o Santos, com falta.

Há uma lógica nesse tipo de jogo. Bem amparado na defesa, jogando-se na velocidade é certo que vai criar jogadas para marcar. O Furacão que, ordenado atrás, passou a jogar com bolas longas e em velocidade deixou o campo no intervalo merecendo ganhar com as chances que Terans perdeu.

Na etapa final, não foi apenas conservador. Foi humilde. Como se fosse alguém a ser desprezado, aceitou até a submissão quando, já com Christian e Pedro Rocha, fez duas linhas de quatro, só saindo uma vez quando Abner teve a chance de marcar.

Com Marinho já cansado de apanhar, o Santos foi desorganizado, tinha a bola, o campo, mas não sabia atacar. Então, o tempo bateu nos 33 minutos, quando aconteceu a coisa mais estranha e mais espetacular que aconteceu na vida do Furacão nesse ano: o gol de Zé Ivaldo.

O novo técnico do Athletico está aprovado.

Não tem ninguém melhor do que Paulo Autuori. 

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