O velório de Jackson Nascimento, lenda do Athletico que faleceu nesta quarta-feira (9) aos 102 anos, vai acontecer na Arena da Baixada. O clube ofereceu o estádio para ser o palco do ritual de despedida ao histório atleta, que vivia em Balneário Camburiú, em Santa Catarina.

O velório de Jackson, na Arena, acontece nesta quarta-feira (9), das 20h às 23h, e quinta-feira, das 8h às 10h da manhã. O sepultamento acontecerá no Cemitério Municipal Água Verde, às 10h30.

Jackson era o último remanescente do lendário Furacão de 1949, time que deu origem ao mais conhecido apelido do clube. Além disso, o ex-meia-atacante também ostenta o fato de ser o segundo maior artilheiro rubro-negro e o primeiro camisa 10 da história do Athletico.

Jackson brilhou com a camisa rubro-negra nas décadas de 1940 e 1950, formando dupla inesquecível com Cireno. Ele também atuou pelo Corinthians, clube pelo qual foi campeão paulista, mas recusou uma extensão contratual por causa da saudade que sentia de seu time do coração, retornando a Curitiba em 1953. No Timão, marcou 35 gols em 57 jogos.

Jackson é um dos maiores artilheiros da história do Athletico

Com 150 gols, Jackson ocupa a segunda colocação entre os maiores goleadores da história rubro-negra. Ele está atrás somente de Barcímio Sicupira, que tem apenas oito gols a mais.

Segundo as estatísticas do clube, Jackson deixou sua marca em 90 jogos. Em 39 deles, anotou pelo menos dois gols. Em 24 partidas, fez hat-trick e, em quatro oportunidades, marcou quatro gols na mesma partida, o chamado poker.

Pelo Corinthians, o paranaense participou de uma das equipes mais marcantes da história do clube. Foram 35 gols em 57 partidas com a camisa alvinegra. O principal momento veio no Campeonato Paulista de 1951, quando o time encerrou um jejum de quase dez anos sem conquistar o título estadual e entrou para a história com um ataque que marcou 103 gols em apenas 28 partidas.

Após três temporadas pelo Corinthians, decidiu retornar a Curitiba e voltou a defender o clube do coração. A ligação com o Athletico permaneceu mesmo depois de pendurar as chuteiras e atravessou gerações.

Bisneta de Jackson trilha caminho para seguir os passos do craque

Gabriela Klein, bisneta de Jackson, está no caminho para seguir os passos do ídolo do Athletico. Aos 13 anos, ela já está nas categorias de base do Avaí.

A carreira da jovem está começando longe de Curitiba, mas ela tem um sonho que só pode ser realizado na capital paranaense: ser uma lenda do Athletico, assim como Jackson.

“É meu sonho. Meu biso foi uma lenda e eu quero ser uma lenda também no futebol feminino. Eu quero muito jogar no Athletico para ser uma lenda também no Athletico, igual ao meu biso”, conta ela.

A história de Jackson, um dos maiores ídolos da história do Athletico

Mosaico da torcida do Athletico em homenagem a Jackson. (Foto: João Heim/Zimel Press/Gazeta Press).

Nascido em Paranaguá e criado em Antonina, o goleador veio estudar em Curitiba no Internato Liceu Rio-Branco e começou a jogar no juvenil do Athletico em 1942. Foi o início da história do primeiro camisa 10 atleticano na Baixada. Jackson foi campeão paranaense em 1945 e também no lendário Furacão de 1949.

A equipe entraria para a história. Foram dez vitórias seguidas, com 49 gols marcados, em time que contava com Caju, Waldomiro, Sanguinetti, Nilo, Viana, Neno, Cireno, Jackson, entre outros, todos sob o comando do técnico Motorzinho. 

Na sequência, Jackson seria negociado com o Corinthians, em 1950, e voltaria, três anos depois, literalmente para jogar de graça. Em 1953, foi artilheiro do Paranaense, com 21 gols. O craque aposentou-se em 1957, aos 30 anos, e depois chegou a trabalhar como dirigente do clube em diversos momentos, incluindo na comissão técnica do título estadual de 1958. 

Para se ter noção, Jackson também é o maior artilheiro rubro-negro da história do Atletiba ao lado de Marreco, com 15 gols.

“Todas as vezes que aconteceram mudanças no espírito do clube eu estava junto, apreciando tudo aquilo como se fosse minha família. Meu pai era atleticano, minha mãe era atleticana, meus irmãos todos eram atleticanos. Até os cachorros eram atleticanos”, recordou Jackson, em entrevista ao UmDois Esportes, quando completou 100 anos de idade.

Eu pintava os cachorros quando queria passear no cais. Me perguntavam por que eu fazia isso. Porque o cachorro é atleticano, eu respondia, com maior amor e carinho. Era uma coisa fantástica. As cores vermelho e preta estavam em todas minhas roupas, espingarda, vara de pescar, tudo rubro-negro.

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