Pressionado pela torcida e com chances de deixar de ser titular no Athletico, o goleiro Santos recebeu apoio de um jogador marcante da história rubro-negra. O goleiro Diego, que participou dos vices no Brasileirão de 2004 e na Libertadores de 2005, escreveu uma carta de apoio ao atual arqueiro do Furacão.

“Eu já atravessei o campo do Athletico sendo vaiado, xingado e até recebendo cusparadas da própria torcida. Tempos depois, atravessei aquele mesmo campo ouvindo a torcida cantar o meu nome. Nunca esqueci nenhum dos dois momentos”, apontou.

Aposentado e morando em Portugal, o ex-jogador exaltou Alfredo Gottardi, mais conhecido como Caju, que dá nome ao Centro de Treinamento do clube, como o maior goleiro da história do Athletico. Na sequência, colocou Santos nesse posto.

“Caju ocupa um lugar único. Depois dele, para mim, Santos é o melhor goleiro da história do Athletico. Você conquistou esse lugar. Foi campeão, decidiu jogos, viveu noites históricas e chegou à Seleção Brasileira. E sua história ainda não terminou. Nós, goleiros, sabemos que não podemos voltar para defender a bola que passou. Mas podemos estar prontos para defender a próxima”, escreveu Diego.

Apesar da turbulência provocada pelas falhas recentes, o goleiro Santos ainda conta com a confiança do elenco rubro-negro e, ao longo desta semana, terá a titularidade avaliada pelo técnico Odair Hellmann, mesmo mantendo o apoio do preparador de goleiros, Felipe Faria. Com 326 jogos, o veterano de 36 anos é o quinto atleta que mais defendeu a camisa rubro-negra na história.

“Santos, cabeça erguida. Confie no goleiro que você sempre foi e, principalmente, NO GRANDE GOLEIRO QUE VOCÊ AINDA É. Você tem a minha torcida. Assim como o Athletico sempre terá. Tenho certeza de que os braços que hoje cobram ainda vão se levantar para aplaudir você. Você já escreveu uma grande história com essa camisa. E ainda não escreveu a última página”, completou.

Relembre trajetória de Diego: goleiro viveu o auge da carreira pelo Athletico

Dispensado da base do Grêmio aos 17 anos, o ex-jogador se transferiu para o Juventude. Na equipe de Caxias do Sul, integrou o elenco campeão da Copa do Brasil de 1999 contra o Botafogo, mas só virou titular e capitão do time em 2001.

Ex-goleiro Diego durante treino do Athletico
Diego durante treinamento do Athletico. Foto: Divulgação/Athletico.

Depois disso, em 2002, teve ótimas atuações na campanha do Juventude, que acabou eliminado pelo Grêmio nas quartas de final do Brasileirão. Apesar da queda, Diego foi o goleiro menos vazado da competição e venceu o prêmio Bola de Prata de melhor goleiro, o que chamou a atenção do Athletico.

Contratado em 2003 pelo Furacão, Diego foi titular nas campanhas dos vices do Brasileirão, em 2004, e da Libertadores, em 2005. Ele se despediu após 135 jogos, em uma transferência para o Fluminense, que pagou R$ 1,8 milhão pelo arqueiro. Apesar disso, a passagem de três anos pelo Tricolor das Laranjeiras ficou marcada pelas lesões.

Ele ainda teve uma rápida passagem pelo Santo André antes de acertar com o Leixões, de Portugal, em 2009. Depois disso, defendeu o Vitória de Setúbal e o FC Qabala, do Azerbaijão.

Na sequência, voltou ao Juventude, clube pelo qual disputou a Série C em 2015. Com o desejo de retornar a Portugal, voltou ao Vitória de Setúbal, onde se aposentou em 2017.

Leia a íntegra do texto de apoio feito por Diego ao goleiro Santos

DE GOLEIRO PARA GOLEIRO. UMA MENSAGEM AO SANTOS.

Eu já atravessei o campo do Athletico sendo vaiado, xingado e até recebendo cusparadas da própria torcida. Tempos depois, atravessei aquele mesmo campo ouvindo a torcida cantar o meu nome.

NUNCA ESQUECI NENHUM DOS DOIS MOMENTOS.

Quando cheguei ao Athletico, em 2003, havia sido eleito o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro e conquistado a Bola de Prata. Cheguei para substituir Flávio, campeão brasileiro de 2001 e grande ídolo do clube.

Num clube que tem Caju como seu maior ídolo, eu sabia o tamanho da responsabilidade. Logo no início, contra o Sport, pela Copa do Brasil, falhei em um gol. Fui vaiado a cada vez que tocava na bola. No fim do jogo, atravessei o campo ouvindo xingamentos. Perto dos vestiários, jogaram coisas e chegaram a cuspir em mim.

Continuei andando. CABEÇA ERGUIDA. Naquele momento coloquei uma coisa na minha mente. UM DIA EU FARIA AQUELE MESMO CAMINHO SENDO APLAUDIDO POR AQUELA TORCIDA. E aconteceu. AS VAIAS VIRARAM APLAUSOS. Vieram o respeito, o carinho, títulos e noites inesquecíveis com essa camisa. Por isso hoje quero falar com você, Santos. Sei que você atravessa um dos momentos mais difíceis da sua carreira.

MAS UMA FASE DIFÍCIL NÃO APAGA UMA GRANDE HISTÓRIA.

Caju ocupa um lugar único. Depois dele, para mim, Santos é o melhor goleiro da história do Athletico. Você conquistou esse lugar. Foi campeão, decidiu jogos, viveu noites históricas e chegou à Seleção Brasileira. E sua história ainda não terminou. Nós, goleiros, sabemos que não podemos voltar para defender a bola que passou.

MAS PODEMOS ESTAR PRONTOS PARA DEFENDER A PRÓXIMA.

Santos, cabeça erguida. Confie no goleiro que você sempre foi e, principalmente, NO GRANDE GOLEIRO QUE VOCÊ AINDA É. Você tem a minha torcida. Assim como o Athletico sempre terá. Um dia atravessei aquele campo ouvindo vaias. Depois atravessei o mesmo campo ouvindo meu nome. Tenho certeza de que os braços que hoje cobram ainda vão se levantar para aplaudir você.

VOCÊ JÁ ESCREVEU UMA GRANDE HISTÓRIA COM ESSA CAMISA. E AINDA NÃO ESCREVEU A ÚLTIMA PÁGINA.

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