Com passagens marcantes por Coritiba, Palmeiras, Fenerbahçe e Cruzeiro, Alex de Souza, ex-jogador e atual técnico do Athletic-MG, fez um apelo em defesa de modelos de ensino adaptados à rotina de jovens atletas de alto rendimento.
Alex afirmou ter recebido notícias sobre possíveis mudanças no ensino inclusivo e na educação a distância. Sem mencionar uma medida oficial, pediu que eventuais ajustes preservem a possibilidade de conciliar os estudos com o esporte.
“Ajuste tudo aquilo que achar correto ajustar, mas jamais tirem a chance de vários jovens seguirem sonhando com o esporte escolhido por eles e pelas famílias e, paralelamente a isso, ainda seguirem preocupados com a educação formal”, escreveu Alex.
Atleta profissional entre 1995 e 2014, o antigo camisa 10 contou que conseguia frequentar a escola e treinar nas categorias de formação do Coritiba durante a infância. Com o aumento precoce das exigências esportivas, porém, deixou os estudos em segundo plano.
Na publicação, divulgada em suas redes sociais, Alex indicou que também estudou no Colégio Saber, de Curitiba, instituição que auxiliou na formação escolar dos três filhos. A escola mantém um programa presencial de inclusão que adapta o acompanhamento da aprendizagem à rotina de treinos, viagens e competições dos alunos.
“Após me retirar do futebol, retornei à escola para terminar o que o futebol tinha me tirado lá na década de 90”, relatou.
Alex também apresentou a experiência da própria família. Segundo ele, as duas filhas dificilmente teriam concluído a escola sem um sistema adaptado aos compromissos esportivos. Segundo o ex-atleta, a mais velha praticou tênis até os 22 anos e atualmente cursa Fisioterapia, enquanto a filha do meio continua no vôlei e também está na faculdade.
/https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F08%2Fathletic-alex-serie-b.jpg)
Já o filho mais novo segue no futebol, nas categorias de base do Coxa, e enfrenta uma agenda preenchida por treinos e outros compromissos. Para Alex, quando o jovem precisa escolher entre o sonho esportivo e a formação acadêmica, a segunda normalmente fica em desvantagem. “Na bola dividida entre o esporte e a escola, a educação sempre perde”, afirmou.
Alex ainda chamou a atenção para os atletas que não conseguem chegar ao profissional. Na avaliação dele, o modelo atual pode produzir esportistas com formação insuficiente e deixar sem alternativas os jovens que não realizam o sonho de seguir carreira.
“Hoje, como treinador de futebol profissional, afirmo categoricamente que, quanto mais preparados academicamente chegarem os atletas ao nível profissional, melhor será o desenvolvimento deles”, escreveu.
Campeões olímpicos apoiam apelo de Alex
A manifestação de Alex no Instagram recebeu o apoio de nomes importantes do esporte brasileiro. Campeão olímpico com a seleção masculina de vôlei, o levantador Bruninho defendeu a aproximação entre as duas áreas.
“Importante tema, meu amigo! Encontrar a maneira de educação e esporte caminharem lado a lado. Isso é fundamental”, comentou.
A jogadora Gabi Guimarães, medalhista olímpica com a seleção feminina de vôlei, e o ex-líbero Serginho Escadinha, bicampeão olímpico, também reagiram com aplausos. Ricardinho escreveu: “Ídolo é ídolo, né!”.
Confira o texto de Alex na íntegra
“Resolvi escrever este texto após receber a notícia de que o MEC, de alguma forma, quer interferir nos estudos inclusivos e no chamado ensino a distância (EaD).
Permitam-me uma apresentação formal: meu nome é Alexsandro de Souza e sou conhecido no meio esportivo apenas como Alex. Fui atleta profissional de futebol de 1995 a 2014. Antes disso, frequentei as quadras da AABB e as categorias de formação do Coritiba Football Club entre 1987 e 1995.
Naquele período, a forma como o futebol e outras modalidades esportivas eram conduzidos permitia conciliar esporte e educação formal. Era possível frequentar os treinos e também a escola com tranquilidade. As coisas mudaram no esporte e tudo se tornou muito precoce. Com a pandemia de Covid-19, a educação inclusiva ganhou mais evidência.
Depois de me retirar do futebol, retornei à escola para terminar o que o esporte havia tirado de mim na década de 1990. Nessa época, eu já era pai de três jovens atletas de alto rendimento: uma tenista, uma jogadora de vôlei e um jogador de futebol.
Se não existisse o ensino inclusivo, minhas duas filhas mais velhas dificilmente teriam concluído a escola, devido aos horários comprometidos com o esporte. Hoje sei que esse modelo funciona — e funciona bem.
A mais velha seguiu no tênis até os 22 anos. Após algumas cirurgias, decidiu encerrar a carreira, prestou vestibular e atualmente cursa Fisioterapia em uma universidade de Curitiba. Sem o ensino inclusivo, isso dificilmente teria acontecido.
A filha do meio continua jogando vôlei e também está na faculdade, sempre com a base proporcionada pelo estudo inclusivo. Meu filho tem horários difíceis e muitos dias inteiramente consumidos pelo futebol. Sem esse modelo, ele jamais conseguiria terminar a escola.
O sonho esportivo é maior e consome muitos jovens em todo o país. Na bola dividida entre o esporte e a escola, a educação sempre perde.
A Escola Saber ajudou muito a mim, aos meus filhos e a vários jovens e famílias que sonham com o esporte de alto rendimento. Ao mesmo tempo, permite que eles continuem estudando para que, no futuro, tenham condições de frequentar uma faculdade ou universidade e contem com uma boa formação acadêmica.
O esporte brasileiro tira essa possibilidade dos jovens pela forma como são conduzidos os treinos, os calendários de jogos e as viagens. O próprio esporte também perde ao se separar da educação. No fim, todos saímos prejudicados: temos atletas com formação acadêmica insuficiente e jovens que não realizam o sonho esportivo nem recebem a preparação necessária para seguir outros caminhos.
O Saber tem regras rígidas e bem definidas para incluir um aluno. É preciso comprovar a participação do estudante em um clube no qual pratique uma modalidade esportiva de alto rendimento. Também existem normas firmes sobre como ele deve se portar perante a escola, já que o modelo foge do formato tradicional.
Hoje, como treinador profissional de futebol, afirmo categoricamente: quanto mais preparados academicamente os atletas chegarem ao nível profissional, melhor será o desenvolvimento deles.
Por isso, de maneira simples e direta, faço um pedido ao MEC: ajuste tudo aquilo que considerar necessário, mas jamais tire a oportunidade de vários jovens continuarem sonhando com o esporte escolhido por eles e por suas famílias enquanto seguem preocupados com a educação formal.
O Saber é uma escola inclusiva que me auxiliou muito na educação dos meus três filhos atletas. Dois ainda sonham com o profissionalismo. Uma foi até onde conseguiu e seguirá outro caminho graças à educação que recebeu.
Espero que o Saber e outras escolas semelhantes possam continuar ajudando os jovens que precisam desse tipo de instituição devido a tudo o que enfrentam na rotina esportiva. São estudantes com dias repletos de compromissos, diferentes daqueles que têm condições de estar na escola diariamente.
Que possamos valorizar a educação e oferecer uma boa formação aos jovens atletas brasileiros. Tenho fé de que seguiremos o melhor caminho e de que o estudo inclusivo continuará em nosso país.
Muita luz a todos nós!“