A divulgação dos balanços financeiros relativos à temporada de 2025 expôs o avanço expressivo do endividamento dos principais clubes brasileiros. Somadas, as dívidas das 20 maiores equipes do país chegaram ao recorde de R$ 16 bilhões no fim do ano passado. Confira o ranking completo no final do texto.
O montante representa um crescimento de 16% em relação a 2024, quando os débitos acumulados alcançaram R$ 13,8 bilhões. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela empresa especializada Sports Value.
Os custos financeiros contribuíram diretamente para o agravamento desse cenário. Somente as despesas com empréstimos e a atualização de débitos tributários provocaram um impacto superior a R$ 2,9 bilhões nas contas dos clubes em 2025.
As dívidas fiscais, por sua vez, atingiram R$ 3,5 bilhões e passaram a responder por 22% de todo o valor devido pelas equipes. Na avaliação da Sports Value, parte considerável dos recursos destinados às instituições financeiras poderia ser aplicada em contratações e salários.
“Os clubes pagam para instituições financeiras valores astronômicos que poderiam ser empregados em contratações e salários. O modelo de endividamento está implodindo os clubes financeiramente”, aponta a empresa.
O estudo também destaca que, diante dos juros elevados no Brasil, os clubes deveriam diminuir a dependência de empréstimos e controlar o crescimento das dívidas para utilizar suas receitas de maneira mais eficiente.
CBF adota regras de fair play financeiro
Em meio ao aumento do endividamento, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) começou a aplicar, em janeiro de 2026, o Sistema de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro. Apresentado em novembro do ano passado, o novo modelo de fair play financeiro abrange os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
A iniciativa busca ampliar o controle sobre as contas e estimular uma gestão mais equilibrada. A situação financeira das equipes será fiscalizada em três momentos de cada temporada: 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro. Nessas datas, os clubes deverão preencher formulários de autodeclaração financeira.
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As negociações entre equipes das duas divisões também precisarão ser registradas em uma plataforma da CBF, com as respectivas condições de pagamento. O sistema reunirá ainda os contratos dos atletas e os valores salariais.
O cumprimento destas exigências será necessário para a inscrição de reforços no Boletim Informativo Diário (BID), responsável por liberar os jogadores para atuar em competições oficiais.
As obrigações financeiras assumidas desde 1º de janeiro de 2026 já estão submetidas ao novo regulamento. As dívidas contraídas antes dessa data, entretanto, passarão a ser alcançadas pelas regras somente em novembro de 2026.
Gastos com os elencos terão limite
O sistema da CBF estabelece que os clubes poderão comprometer até 70% de suas receitas, considerando o resultado líquido das transferências, com despesas relacionadas ao elenco. O cálculo inclui salários, direitos de imagem e outras despesas relacionadas aos jogadores.
O descumprimento do limite nos resultados de 2026 e 2027 estará sujeito apenas a advertências. As demais punições serão introduzidas gradualmente em 2028 e 2029.
Outra exigência determina que a dívida líquida de curto prazo, normalmente formada por compromissos com vencimento em até 12 meses, seja inferior a 45% do endividamento total. Clubes considerados insolventes poderão sofrer restrições nos gastos com a folha salarial e com contratações.
Punições podem chegar ao rebaixamento
As sanções previstas incluem advertência, multa, retenção de receitas, proibição de registrar atletas, perda de pontos, rebaixamento e cassação da licença.
Antes da aplicação das penalidades, porém, a CBF e as equipes poderão firmar um acordo de ajustamento de conduta como medida preliminar e alternativa.
Com a entrada em vigor das novas regras e o endividamento recorde de R$ 16 bilhões, confira o ranking dos clubes mais endividados do futebol brasileiro, conforme o levantamento da Sports Value.
Ranking de dívidas do futebol brasileiro: 20º ao 11º colocados
Entre as equipes analisadas, somente o Mirassol encerrou a temporada sem registrar dívidas no balanço financeiro. O clube do interior paulista também teve a menor folha salarial do país em 2025, mas conseguiu montar um elenco competitivo e conquistar uma vaga inédita na Libertadores de 2026.
Já o Bahia apresentou a maior redução de dívida do levantamento. Controlado pelo Grupo City desde a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o clube diminuiu o passivo de R$ 821 milhões, em 2024, para R$ 167,8 milhões no ano seguinte — uma queda de 80%.
O resultado foi alcançado após um aporte de R$ 907 milhões do Grupo City na operação da SAF durante a temporada passada.
O Athletico percorreu o caminho contrário. Depois de apresentar dívida zero no balanço de 2024 — sem considerar o passivo relacionado à construção da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014 —, o Rubro-Negro registrou R$ 83,1 milhões em débitos em 2025.
10º: Fluminense
O Fluminense abre o top 10, com uma dívida total de R$ 824,4 milhões no balanço de 2025. O passivo aumentou 30% em relação ao ano anterior, quando o Tricolor das Laranjeiras registrou débitos de R$ 632,8 milhões.
9º: Vasco
O Vasco ocupa a nona colocação, com endividamento de R$ 839,3 milhões. Apesar do valor elevado, o Cruzmaltino reduziu a dívida em 12% na comparação com 2024, quando o passivo chegou a R$ 951,2 milhões.
8º: São Paulo
Na oitava posição aparece o São Paulo, que encerrou 2025 com uma dívida de R$ 858,2 milhões. O Tricolor paulista conseguiu diminuir o passivo em 11% diante dos R$ 968,3 milhões contabilizados no exercício anterior.
7º: Santos
O Santos tem a sétima maior dívida do futebol brasileiro, calculada em R$ 890 milhões. O valor cresceu 38% em relação a 2024, quando o Peixe registrou um passivo de R$ 645,2 milhões.
6º: Internacional
O Internacional aparece em sexto lugar, com débitos de R$ 929,2 milhões no balanço mais recente. A dívida do Colorado aumentou 11% na comparação com o exercício de 2024, encerrado com um passivo de R$ 834,8 milhões.
5º: Palmeiras
Atual vice-campeão brasileiro e da Libertadores, o Palmeiras abre o grupo dos cinco clubes mais endividados, com passivo de R$ 1,14 bilhão. O montante representa uma alta de 34% diante dos R$ 825,4 milhões registrados em 2024.
4º: Cruzeiro
O Cruzeiro ocupa a quarta posição, com uma dívida total de R$ 1,15 bilhão. O endividamento da Raposa cresceu 17% em relação ao ano anterior, quando o clube mineiro havia contabilizado R$ 981,1 milhões.
3º: Botafogo
O Botafogo apresentou o maior crescimento de dívida entre os clubes analisados. O passivo saltou de R$ 866,7 milhões, em 2024, para R$ 1,57 bilhão no balanço mais recente, aumento de 81%.
2º: Atlético-MG
O Atlético-MG tem a segunda maior dívida do futebol brasileiro, no valor de R$ 2,29 bilhões. O total ficou 18% acima do registrado em 2024, quando o Galo encerrou o ano com um passivo de R$ 1,94 bilhão.
1º: Corinthians
O Corinthians lidera o ranking, com um endividamento total de R$ 2,44 bilhões no balanço de 2025. O passivo do clube paulista aumentou 20% em relação aos R$ 2,04 bilhões contabilizados no exercício anterior.
Ranking de dívidas completo do futebol brasileiro
Ranking de dívidas do futebol brasileiro (2025)
Os 20 clubes mais endividados, do maior ao menor débito
- 1CorinthiansR$ 2,44 bilhões
- 2Atlético-MGR$ 2,29 bilhões
- 3BotafogoR$ 1,57 bilhão
- 4CruzeiroR$ 1,15 bilhão
- 5PalmeirasR$ 1,14 bilhão
- 6InternacionalR$ 929,2 milhões
- 7SantosR$ 890 milhões
- 8São PauloR$ 858,2 milhões
- 9VascoR$ 839,3 milhões
- 10FluminenseR$ 824,4 milhões
- 11GrêmioR$ 778,4 milhões
- 12FlamengoR$ 472,8 milhões
- 13RB BragantinoR$ 424,9 milhões
- 14SportR$ 379,6 milhões
- 15VitóriaR$ 350,6 milhões
- 16FortalezaR$ 223,2 milhões
- 17CearáR$ 174,1 milhões
- 18BahiaR$ 167,8 milhões
- 19AthleticoR$ 83,1 milhões
- 20MirassolSem dívidas